Visitantes da 41ª Exposição Agrícola da ACEL, em Londrina, encontram na entrada do Centro de Eventos uma casa em estilo japonês feita com materiais recicláveis
Idealizada e executada pela artista plástica Kioko Morioka Morita, a casa que recepciona os visitantes da 41ª Exposição Agrícola da ACEL, que está sendo realizada no Centro de Eventos de Londrina, foi toda construída em matéria-prima pouco, ou quase nada, aproveitada pela indústria da construção civil ou em projetos arquitetônicos brasileiros, ousados ou não. De puro papel reciclado, 25 metros quadrados foram erguidos com placas de papelão ondulado prensado para caracterizar o estilo nipo-brasileiro de moradia. Do telhado à mobília.
Nissei londrinense, a autora do projeto (que contou com a consultoria técnica do arquiteto Américo Moriama e paisagismo de Maristela Cardoso Monice), e também dos livros ‘‘O voô do papel’’ (lançado no ano passado) e o ‘‘Despertar da natureza e da vida’’ (no prelo) faz questão de frisar: ‘‘É claro que esta obra não serve para moradia; é apenas uma atividade artesanal. Uma pequena amostra da evolução dos conceitos arquitetônicos e decorativos japoneses, hoje adaptados à cultura brasileira. Mas, com a concepção da casa em matéria-prima reciclada, procurei também dar abrigo a um valor maior: a necessidade urgente de se preservar a natureza, o nosso meio ambiente.’’
Estruturada em madeira (‘‘de reflorestamento, claro’’), e detalhada com acabamento em tiras de bambu (‘‘extraído de uma reserva florestal de plantio com manejo controlado, óbvio’’), a Casa Japão abre espaço para a história da colonização e imigração nipônica, e as portas para a imaginação criativa.
Se o telhado e paredes, montados em papel reciclado não são próprios para a indústria da construção (se bem que a tecnologia já incorporou-o aos painéis de gesso acartonado, revolucionando o conceito de paredes internas até mesmo para as grandes e sólidas edificações), a matéria-prima pode ser utilizada nos mais variados objetos decorativos, incluindo nesta múltipla lista, desde confortáveis sofás, práticas e resistentes mesas e banquetas, confeccionados em aglomerados, até os revestimentos para paredes, colunas e border, quando a idéia é realçar pequenos ou detalhar grandes ambientes internos – ‘‘tudo em papel de pão’’.
A artista premiada com o primeiro lugar na categoria projetos de comunicação visual da 30ª Expô de Papel e Celulose (1996, em São Paulo), destacou na Casa Japão de Londrina, em cor parda natural ou com a força do vermelho e branco, muitas destas variáveis. ‘‘A magia do papel é infinita, basta fazer da sua criatividade um universo de imaginação’’, ensina Kioko Morita, que leva este lema, ao pé da letra, há quase 30 anos.

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