Manutenção preventiva reduz riscos e traz economia
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domingo, 27 de janeiro de 2008
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
Ao adquirir um automóvel usado, é comum o novo proprietário levá-lo a um mecânico para checar se o veículo apresenta algum problema. No caso das edificações - tanto residenciais como comerciais - não se percebe o mesmo tipo de preocupação. Geralmente, o proprietário, síndico ou administrador contratam
um profissional para realizar uma manutenção corretiva e não preventiva, e, nesta situação, as soluções técnicas para os problemas saem mais caras, além de colocarem em risco a segurança dos moradores.
Segundo o engenheiro Cássio Volpi, especializado na avaliação e perícia de imóveis, prevenir possíveis problemas técnicos é mais simples, barato, aumenta a vida útil do imóvel, além de oferecer mais segurança aos usuários. ''Já ficou constatado que a manutenção preventiva é cinco vezes mais barata que a corretiva'', acrescenta o engenheiro civil e inspetor do Conselho Regional do Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), em Londrina, Júlio Cotrim.
De acordo com Volpi, é importante que a pessoa, antes de adquirir um imóvel, contrate um profissional habilitado (engenheiro ou arquiteto) para fazer uma vistoria a fim de constatar algum vício construtivo. ''No momento de decidir pela moradia, a pessoa não deve analisar apenas preço, tamanho, incidência do sol, mas checar também se o piso e azulejos foram bem assentados, a pintura não está ''maquiada'' ou há uma fissura mal disfarçada'', exemplifica.
No caso das manutenções periódicas, a principal orientação é contratar um profissional habilitado, com registro no Crea. A empresa que realiza a consulta técnica também deve ser cadastrada no órgão. ''O Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal) pode indicar o profissional dentre a sua relação de associados'', afirma o inspetor do Crea.
A manutenção do elevador, central de gás e pára-raio é fiscalizada anualmente pelo Crea. A revisão do funcionamento desses sistemas e equipamentos precisa ser acompanhada da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) - documento legal que indica que a manutenção foi realizada e identifica o profissional e a empresa realizadora. Segundo o supervisor do Crea, Israel de Moraes, a fiscalização do Conselho é orientativa, e, caso o síndico não apresente a ART, o condomínio é notificado e tem 10 dias para regularizar a situação. ''Se a manutenção não ocorrer neste período, o condomínio é multado em R$ 3.818,00, porém, caso haja regularização, este valor é reduzido em 2/3, podendo ser parcelado em até cinco vezes'', explica Moraes.
Outros sistemas que demandam manutenção periódica são o elétrico, hidráulico, estrutural (sustentação) e prevenção a incêndios. ''É importante cuidar da parte elétrica para evitar incêndio; realizar a impermeabilização para prevenir a umidade e infiltrações. Na engenharia, costuma-se dizer que o concreto avisa quando vai cair. Rachaduras, trincas em cantos da parede, perto de vigas sinalizam problemas'', explica Cotrim. O engenheiro ressalta que além da integridade física, a manutenção corretiva também gera economia. Ele exemplifica que a leitura diária do hidrômetro pode indicar uma falha hidráulica, e um engenheiro elétrico pode realizar um estudo da demanda de energia.
Anualmente, o Corpo de Bombeiros realiza uma vistoria no sistema hidráulico e de prevenção a incêndios nas edificações. Segundo o cabo Israel Justino, do Setor de Vistorias, o profissional vistoria as mangueiras, esguichos, extintores, corrimões em ambos os lados da escada, iluminação de emergência e piso antiderrapante.


