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Me responde por favor
Diz quem fez o primeiro teto que o projeto não desmoronou
Quem foi este pedreiro, este arquiteto, e o valente primeiro morador
Me responde por favor
Pra onde vai o meu amor?
Quando o amor acabar
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O trecho é da música ‘‘Almanaque’’, uma composição de Chico Buarque. E mostra, entre outras coisas, como a habitação foi, e sempre será uma necessidade básica concreta e emocional para o ser humano. Com a evolução dos métodos construtivos e desenvolvimento de materiais cada vez mais adaptados à demanda do mercado atual, a preocupação em garantir o trinômio qualidade/segurança/custo vem se tornando prioridade.
Quem pensa que prédio caindo e casas desmoronando é um problema atual e um ‘‘privilégio’’ brasileiro, está enganado. Isto acontece desde que o ser humano saiu das cavernas. Oops! As cavernas também desmoronavam com a chuva, não é? O fato é que desde sempre casas e prédios caem sem um motivo aparente e, embora isto não seja frequente, também não chega a ser uma raridade, nem nos países do primeiro mundo.
Então é normal uma construção desmoronar? ‘‘Absolutamente não. Os sistemas construtivos atuais são seguros. Um desmoronamento é exceção quando os projetos foram bem elaborados e a construção bem feita’’, garante o engenheiro civil e geotécnico de Londrina, Carlos José Costa Branco.
Professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ele estima que, atualmente, a possibilidade de uma edificação bem projetada e bem construída desmoronar é de uma para cada 10 mil. O que os profissionais querem é diminuir a ‘‘probabilidade’’ matemática de ruína, otimizando ainda mais a etapa dos projetos.
Toda edificação conta com um projeto da parte externa do terreno e outro da fundação e cada projeto é feito por um profissional especializado na área. A solução, defende Costa Branco, é implementar o entrosamento entre os dois profissionais que estão trabalhando na mesma edificação. ‘‘É preciso entender que, embora seja dividida em duas partes, a edificação é um corpo só e precisa ser tratada como tal’’, afirma.
É impossível chegar a uma precisão de 100% nos projetos. Os cálculos atuais ainda não permitem isso, tornando inevitável a existência de uma margem de risco, mesmo que mínima. Costa Branco enfatiza que o trabalho do engenheiro é justamente gerenciar o risco e o custo, viabilizando uma edificação segura.
Complexos, os cálculos de cada projeto são feitos separadamente mas estão intimamente interligados, dependendo um do outro. Para reduzir ao mínimo o ‘‘risco de ruína’’, o ideal é que um projeto seja submetido ao outro, sucessivamente, até equilibrar ao máximo os números. Ele compara o processo construtivo brasileiro ao japonês. Lá e em outros países do primeiro mundo, o tempo para a elaboração dos projetos equivale a um terço do tempo de construção.
Para a elaboração do projeto de um prédio que vai ser construído em dois anos, por exemplo, destina-se pelo menos um ano. No Brasil o mesmo prédio teria seu projeto elaborado em três meses e a construção levaria cerca de quatro anos. Investir na etapa dos projetos significa economizar tempo na construção, disperdício de material e de mão-de-obra.
‘‘Dá mais trabalho, mas a relação custo benefício é infinitamente melhor. é uma questão de consciência social, de respeito à vida do usuário e também ao capital investido’’, ressalta. Costa Branco afirma que este entrosamento já existe mas pode melhorar. Enfatiza que, para o processo se tornar realidade, é necessário o envolvimento dos profissionais e construtoras porque ele depende de muitos fatores, entre eles, tempo, investimento, empenho e compromisso social.

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