Mais luz em casa sem pesar no bolso
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de julho de 2001
Célia BaroniDe Londrina 
A clarabóia de teto aberturas cobertas com vidro ou outros tipos de materiais que permitem a passagem da luz é um recurso antigo na história da arquitetura. Mas a complexidade exigida na sua elaboração e o custo acabaram limitando o uso às igrejas, castelos e grandes casas.
Mesmo atualmente, com o desenvolvimento de novas técnicas construtivas e de materiais resistentes e adequados que baratearam o custo, o uso deste recurso ainda é pouco comum.
A beleza do efeito que a clarabóia de teto proporciona ao ambiente também colaborou para consolidar a idéia de que o recurso é apenas decorativo. Não é. Os arquitetos André Silvestri e Pedro Palma, de Londrina, explicam que o uso de clarabóias tem como principal objetivo o aproveitamento da luz natural nos ambientes internos.
A luz natural deixa os ambientes mais agradáveis e aconchegantes. Como varia de intensidade no decorrer do dia, ela ajuda a transformar os ambientes respeitando o ritmo verdadeiro da vida, explicam.
Além do conforto, elas colaboram com o quesito segurança. Mesmo à noite, há luz suficiente para não deixar a casa na completa escuridão. A luz natural, garantem os arquitetos, não incomoda a visão e é ideal para as áreas de circulação.
A clarabóia se torna particularmente interessante quando posicionada sobre escadas. Além de contribuir com a segurança destes espaços, a existência de uma clarabóia não precisa interferir na iluminação de quartos e ambientes onde o conforto depende da garantia da escuridão, diz Silvestri.
O uso da luz natural melhora a qualidade de vida das pessoas. A luz artificial confunde o relógio biológico do ser humano e até dos animais. O estilo de vida atual agrava a situação. A maioria das pessoas vive uma rotina que implica em estar fechado em ambientes com luz artificial.
Segundo os arquitetos, estudos conprovaram que várias formas de depressão estão associadas à pouca exposição à luz. Elaborado na Islândia, onde a noite dura seis meses, o estudo pôde mostrar os efeitos nocivos da falta de luz natural.
Os cientistas concluíram ser esta a principal causa do alto índice de suicídio registrado naquele país. Problema que fica ainda mais sério com a neve, porque ela obriga as pessoas a ficarem em casa na maior parte do inverno islandês.
Luz é vida, reforça Silvestri. Por isso, optar por recursos como clarabóias de teto e janelas grandes é uma necessidade. Sempre que o projeto permite, sugerimos a utilização de clarabóias aos clientes, comentam. O principal obstáculo, dizem, está na preocupação das pessoas com a funcionalidade das clarabóias.
Temem que ela provoque infiltrações ou não resistam a tempestades mais fortes. Estão enganados. Se bem projetadas e bem executadas elas não trazem nenhuma complicação. Só beleza, garantem. Se isto não convencer, argumentam, a possibilidade que a clarabóia abre de criação de jardins internos seduz a maioria das pessoas.


