Maior desafio é atender famílias que não têm renda
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domingo, 31 de dezembro de 2006
Agência Brasil 
Rio de Janeiro - O superintendente técnico da Associação Brasileira das Empresas de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), José Pereira Gonçalves, lembra que o grande desafio do déficit habitacional brasileiro está ligado ao fato de que ele não envolve apenas uma questão de ''demanda''. A maior parte da população que carece de moradia simplesmente não dispõe de renda e precisa de apoio do poder público.
''A grande questão é que o déficit se concentra principalmente nas faixas de renda de até três salários mínimos'', disse ele, em entrevista à Agência Brasil. A Abecip congrega os bancos e entidades que trabalham no financiamento de moradias a partir dos recursos depositados em poupança.
De acordo com o estudo da Fundação João Pinheiro, 83% do déficit (7,9 milhões de moradias ao todo) estão nessas famílias com renda inferior a R$ 1.050. ''A única forma de atender a essa camada da população é com recursos orçamentários, já que elas não têm capacidade de endividamento'', afirma o dirigente.
''Com o aumento do crédito que houve no ano passado e, principalmente, este ano, devendo acontecer também no próximo ano, a tendência é o déficit se reduzir, principalmente nas camadas de renda que têm condições de tomar financiamento'', diz Gonçalves.
O superintendente explica que, a partir da ciência de que a maior parte do déficit está localizada nas famílias de menor renda, o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) já está desenvolvendo uma série de mudanças para atender à faixa com rendimentos abaixo de dez mínimos.
Gonçalves lembra que o conselho curador do FGTS autoriza todo ano que uma parte dos recursos do fundo seja alocada para subsídios. Em 2006, segundo ele, o FGTS alocou R$ 1,830 bilhão em recursos a fundo perdido, isto é, sem reembolso, para essa finalidade. O próprio governo federal alocou cerca de R$ 1 bilhão este ano para o Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social (PSH ), linha de crédito direcionada à produção de empreendimentos habitacionais para populações de baixa renda, nas formas de conjunto ou de unidades isoladas.
O superintendente diz que, apesar de as carências habitacionais ainda serem significativas, os números vêm melhorando. As operações com recursos do FGTS, por exemplo, subiram de 225 mil financiamentos, em 2002, para 333 mil no ano passado. E devem superar os 400 mil em 2006. No tocante às operações com recursos da poupança, para um público com renda um pouco mais elevada, a Abecip revela que o montante de operações se elevou de 29 mil unidades em 2002 para 61 mil em 2005, prevendo-se alcançar 115 mil unidades em 2006.
Gonçalves confirma, contudo, que o principal nó a desatar é atender às famílias de baixíssima renda. Ele destaca que parte das unidades financiadas com recursos do FGTS já está atendendo a essa camada da população, em função dos subsídios que o próprio fundo disponibilizou. ''O número de unidades está crescendo, mas a carência ainda é bastante grande'', constata.


