O estilo dos móveis feitos pelo artesão Nilton Marques, mais conhecido como ‘‘Poca’’ é o mesmo do tempo da vovó. Têm todas as peculiaridades da mistura de estilos provocada pela reunião das várias culturas que colonizaram Londrina e região. As peças são simples, bonitas, atraentes e absolutamente simpáticas.
O segredo desta mistura talvez esteja no fato dela evocar lembranças de tempos que, embora duros, foram marcados por uma vida mais simples e direta. Feitos em madeira maciça, os móveis são feitos com peças recicladas de casas demolidas, a maioria com mais de 50 anos de idade.
‘‘Nesta primeira fase do meu trabalho estou desenvolvendo peças que lembram muito as que eu via, quando pequeno, na casa dos amigos, nos sítios e na casa de minha avó. São boas recordações, de ambientes alegres e aconchegantes, qualidades que tento levar para cada móvel que faço’’, conta Poca.
A opção por este tipo de móvel não é por acaso, nem apenas uma questão de gosto pessoal. Poca explica que foi a forma que encontrou para resgatar um pouco da história da ‘‘vida vivida’’ pelos nossos antepassados. ‘‘São casas que viram móveis e voltam para dentro de casa para participar de novas histórias do cotidiano’’, diz.
Publicitário, ator, produtor e agora marceneiro, Poca trabalha com cada pedaço de madeira como se fossem páginas de um livro. Este modo de desenvolver o novo ofício tem a ver com a sua formação. Ele argumenta que todas elas atuam no mundo das idéias, exigem observação e criatividade ‘‘e uma mente sempre aberta’’.
Ele admite que, no processo de recontar a história, a influência da visão contemporânea é inevitável. O resultado é que as linhas retas prevalecem nas peças. Acrescentar esta informação ao produto final acaba diferenciando o seu trabalho.
Seus móveis têm mais plasticidade. A peça personalizada mostra um pouco do modo de pensar do seu usuário. Mais suaves, elas facilitam a composição de ambientes em outros estilos e casam muito bem com a tendência clean.
Com a preocupação em enriquecer o trabalho, ele está desenvolvendo uma linha especial toda em peroba rosa, árvore comum na época da colonização da região Norte. Abundante, a madeira da peroba rosa não era muito valorizada. Foi usada principalmente na construção de casas provisórias ou de famílias menos abastadas e até pontes. Hoje, a peroba rosa está praticamente desaparecida na região.
A peroba rosa tem um poder de sedução todo especial: sua cor. Amarelo dourado ela parece corada de um tênue rosa, o que acaba conferindo à peça pronta uma tímida mas nítida luminosidade.
Bem humorado, Poca conta que também se surpreendeu com a descoberta do dom para mexer e dar forma à madeira. Aconteceu por acaso. Ele queria um banco de madeira e ao pesquisar modelos e preços achou os valores muito altos. ‘‘Decidi arregaçar as mangas’’, contou. Só quando ficou pronto ele percebeu que sabia mesmo o que estava fazendo e que gostava do ofício.
Do prazer de fazer os móveis de sua casa para o ofício virar fonte de renda foi um ‘‘pulo’’. Amigos descobriram a habilidade e começaram a fazer encomendas. Hoje, Poca tem uma marcenaria e transformou sua casa em show room.
O trabalho de Poca estará exposto na sala José Antônio Teodoro, na Secretaria de Cultura, na Praça 1º de Maio (centro), de 25 de maio a 7 de junho. A abertura oficial da exposição acontece às 20 horas do dia 25.
Serviço: Para contato com Poca ligue (43) 9996-8180

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