A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Ambici) iniciou uma campanha para incentivar o uso de madeira na construção civil. No setor de madeira processada mecanicamente que inclui compensados, laminados, pisos, molduras, componentes, portas, madeira serrada , a utilização deste material por engenheiros e arquitetos no Brasil ainda é pequena. Na Europa, Estados Unidos e Japão o uso da madeira é muito maior.
Segundo o arquiteto londrinense Antonio Carlos Zani, várias universidades do País estão fazendo pesquisas sobre a utilização da madeira na construção e derrubando alguns mitos, como o de que a madeira pega fogo muito facilmente. ''Se você coloca um pedaço de madeira e um de ferro e põe uma chama embaixo, qual vai cair primeiro? Será o ferro porque ele derrete a uma determinada temperatura, a madeira carboniza, mas não cai'', disse.
Em Londrina, apesar de no início de sua colonização as construções serem feitas de madeira, principalmente peroba-rosa, esta cultura se perdeu e hoje são poucas as casas de madeira. Inclusive as construções históricas se perderam. Zani fez seu mestrado e o doutorado sobre a arquitetura de madeira. ''É uma pena que tudo tenha se perdido, mas hoje com os reflorestamentos e tratamentos de conservação, a madeira está sendo descoberta'', disse. Segundo ele, o custo é bem menor. ''Você pode comprar toda a madeira da construção de uma só vez o que garante o preço.''
Zani lembra que ainda há um certo preconceito em relação à casa de madeira por ser considerada ''casa de pobre'', insegura. Mas hoje o material está sendo redescoberto principalmente com a utilização de eucalipto e pínus, espécies mais usadas para reflorestamento. Após tratados, são utilizados nas construções. Para ele, o que falta é mão-de-obra especializada. ''Hoje em dia não há mais mão-de-obra para trabalhar com esse tipo de material, então as empresas teriam que investir nessa formação para aumentar o mercado, além de precisar haver uma padronização no tratamento dado à madeira'', afirmou.
Segundo Zani, muitos hóteis, principalmente na região Nordeste do Brasil, estão utilizando madeira de reflorestamento nas suas construções. ''Hoje o Espírito Santo é o estado que mais fornece este tipo de madeira para as construções, mas outros estados também estão despertando para isso. Principalmente nos locais onde as fábricas de papel têm grandes reservas'', contou. Zani explicou que com a madeira a obra é feita mais rapidamente. De acordo com ele, no Brasil o uso ainda é pequeno, mas nos Estados Unidos e Japão a construção com madeira é feita em larga escala.
Em sua casa o arquiteto utilizou uma madeira originária do norte do Pará chamada cumaru para fazer toda a parte interna da residência. As portas, janelas, paredes, varandas, piso e teto são de madeira. De acordo com ele, são necessários alguns cuidados na construção para a manutenção do ambiente já que a madeira é um material que sofre alterações com o clima. É preciso manter a madeira afastada da umidade, ter cuidado com a ventilação, que precisa ser boa, com o isolamento térmico e acústico, por exemplo.
Na casa de Zani ele utilizou lã de vidro para fazer o isolamento acústico e térmico. ''Nos quartos eu fiz paredes duplas e no meio coloquei a lã de vidro, no forro também'', explicou. No lado externo da casa o arquiteto usou tijolos, e também nas áreas onde há maior umidade, como os banheiros. Ele pensa que com o investimento das indústrias na padronização no tratamento da madeira, utilização de pré-fabricados, treinamento da mão-de-obra e redescoberta da madeira pelos arquitetos pode ser que o seu uso seja retomado. ''Além disso'', ressaltou, ''precisamos pensar que a longo prazo o único material renovável na construção civil é a madeira.''

mockup