Célia Baroni
De Londrina
Ainda hoje o lustre é destaque nas salas de refeições. ‘‘Apesar de haver outras opções também muito bonitas para iluminar este ambiente, nenhuma é capaz de dar o aconchego e elegância que os lustres oferecem’’, acredita o arquiteto André Sell.
Ele explica que o lustre é um objeto antigo (clássico) que evoluiu junto com os tempos. Ganhou design e hoje, além da função de iluminar ele também ‘‘cria ambientes’’ e decora.
Sell ressalta que só recentemente os projetos de iluminação passaram a ter uma grande importância no resultado final da decoração. Descobriu-se que na quantidade correta a luminosidade é capaz de incentivar, ‘‘acordar’’ ou levar as pessoas ao relaxamento.
Além do efeito sobre o estado de espírito, diz o arquiteto, ela serve ainda para elaborar um jogo cênico. Transforma os ambientes criando ‘‘climas’’ diferentes.
A não ser em momentos particulares de romantismo, a sala de refeições exige uma luminária com vários pontos de luz só para a mesa. ‘‘A mesa ainda é o ponto de reuniões da família e amigos e, por isto merece uma iluminação mais enfática’’, argumenta. Por isto, afirma, não acredito na substituição definitiva do lustre por outros sistemas de iluminação.
A necessidade de convivência com outras pessoas fez com que, desde a antiguidade, o centro das reuniões fosse muito iluminado. Primeiro foi a fogueira que além de servir para cozinhar, iluminava e aquecia o grupo oferecendo a impressão de ‘‘segurança’’. Sell conta quando o ser humano passou de nômade a sedentário foi utilizado o sistema de tochas e posteriormente a vela.
Nesta época, diz, já havia o conceito de lustre – eram os chamados candelabros (eles portavam várias velas). Pesados e rústicos, eram feitos no formato de grandes rodas, pendurados no centro das mesas. Com a energia elétrica, os pontos onde ficavam as velas foram adaptados para receber as lâmpadas.
A situação só começou a mudar com a revolução industrial e o aparecimento de materiais alternativos mais leves. Então os lustres ganharam cristais e vidros coloridos e trabalhados. Quanto mais elaborado, mais bonito. Dentro deste estilo entraram também aqueles feitos com detalhes em flores e folhas artesanais (barrocos) com ou sem cúpulas para as lâmpadas.
O lustre chegou a competir em efeito com a mesa. Situação que segundo Sell deve ser evitada para não quebrar a harmonia. Ele explica que, depois do conforto, a harmonia é quem manda na decoração independente do ambiente. ‘‘Uma peça, mesmo que belíssima, pode não compor com o ambiente. Este desacordo pode até prejudicar o efeito de toda a decoração’’, exemplifica Sell.
Outro fator importante é que o projeto respeite o gosto dos moradores, porque só assim ele vai se sentir confortável nele. Dicas que valem também para a escolha do lustre.
Atualmente as lojas dedicadas às luminárias oferecem lustres nos mais variados estilos – do antigo ao contemporâneo. Mas as pessoas que não gostam deste tipo de iluminação preferindo um jeito mais high tech também têm opções. Uma possibilidade, orienta, é a utilização de fios cruzados no teto e vários pontos de luz.
Este sistema ganhou destaque nos escritórios modernos, e passou a ser utilizado também em residências. Mas, para dar certo, os focos de luz têm de estar direcionados para incidirem sobre a mesa e não sobre a pessoa. Direcionados para a pessoa que está à mesa, este tipo de iluminação provoca sombras sobre o prato e a mesa – um efeito desagradável.Os lustres são um clássico na decoração e, além de propiciarem uma iluminação farta, levam aconchego e elegância às salas de refeições
Fotos: Paulo WolfgangAgradecimentos: Luz Brasil EM EVIDÊNCIA A não ser em momentos particulares de romantismo, a sala de refeições exige uma luminária com vários pontos de luz só para a mesaLustre tipo Sputinick: design brasileiroReproduçãoEstilo barroco: rebuscamento refinadoReproduçãoReleitura moderna do estilo tradicional

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