Lugar de jardim também é na cozinha
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de junho de 2000
Célia Baroni 
Sabe aquele corre-corre na cozinha para preparar as refeições do dia a dia? Aquele estresse de definir o que vai ter para o jantar e o almoço? A rotina própria das donas de casa e quase inevitável pode ser amenizada se a cozinha for bem planejada e ainda por cima contar com um jardim interno.
Montar jardins em sacadas, nas salas e nos escritórios é um recurso relativamente comum nos dias de hoje. O objetivo é o de humanizar a decoração e promover um relaxamento. Mas jardim na cozinha? Isto mesmo. É claro que, como todo jardim interno, ele tem de ser de vasos para evitar infiltrações no piso, mas o resultado é um encanto.
A proposta foi apresentada pelos arquitetos Thaís Mendonça e Rangel Giovani, durante a MD&I Office, em Londrina. Eles explicam que aproveitaram as grandes janelas do espaço para garantir a iluminação adequada para as plantas e construíram o jardim da cozinha com seixos e vasos. Sem uma iluminação adequada, ter um jardim interno inviável, ressaltam os arquitetos.
A cozinha aberta foi criada em forma de C, com a entrada voltada para o jardim. Assim, de qualquer lugar do ambiente é possível perceber as plantas. Não faltam balcões no projeto dos dois arquitetos. O único armário que ocupa a parede de cima a baixo é o dispenseiro, colocado logo à entrada, ao lado da geladeira.
A esquerda de quem entra na cozinha está o fogão (simples), de onde saem as bancadas que formam o C. Elas abrem espaço para utensílios como lava-louças e microondas. Sobre o fogão, uma coifa ( tipo sonho de consumo) garante a eliminação de gorduras e vapores formados durante a preparação dos alimentos.
Sobre a bancada, perto do fogão, um pequeno tampo de vidro elevado faz o papel de balcão onde os convidados podem acompanhar o preparo da comida enquanto beliscam salgados ou bebem um drinque.
A cozinha sempre foi um local solitário. A proposta atual é abrir este espaço integrando-o a todos os ambientes, afirma Rangel. A tendência serve tanto para escritórios de profissionais liberais como para residências.
O projeto foi dedicado ao escritório da nutricionista . Por isto a cozinha é igual a de qualquer casa. A nutricionista tem de desenvolver receitas novas e mostrar que o que ela sugere na receita pode ser feito em qualquer cozinha, frisa Thaís Mendonça.
Os dois arquitetos trouxeram também outra tendência que vem se firmando na decoração. O branco voltou para as paredes e predomina nos ambientes. Mas a cor e texturas não perderam espaço. Limitada a uma ou outra parede, ela assume várias funções: figura como obra de arte, aparece como base para o destaque da decoração e limita espaços.
Outro ponto que se destaca no ambiente dos dois arquitetos é a falta de uma definição concreta da circulação, os corredores. Os corredores pertencem ao passado. Hoje a circulação é demarcada mais sutilmente, através dos limites nítidos de cada ambiente, explicam. Além de um visual agradável, o recurso possibilita o melhor aproveitamento dos espaços internos. Os corredores tradicionais, afirmam, chegam a ocupar 15% do total do espaço disponível.


