Londrina tem poucas calçadas padronizadas
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sábado, 03 de setembro de 2005
Erika Zanon<BR>Reportagem Local 
Se não houvesse uma legislação que contemplasse a construção de calçadas padronizadas que permitissem o tráfego tranquilo de pedestres, principalmente deficientes físicos, já seria de bom senso que o passeio público das principais ruas da cidade fosse projetado para atender a necessidade desses cidadãos. Entretanto, o País conta com uma normatização - a NBR 9050 - que regulamenta a construção de calçadas, mas que em Londrina simplesmente não é respeitada: na área central, por exemplo, é raro encontrar um projeto com pisos especiais ou rampas.
O problema, segundo especialistas, parece ser mais cultural e talvez até de falta de informação, do que propriamente econômico já que o custo do projeto de construção ou reforma é basicamente o mesmo para calçadas tecnicamente acessíveis ou não. No entanto, o número de moradores que resolvem projetar o passeio de suas residências e condomínios, visando respeitar as normas mas acima de tudo permitir o trânsito tranquilo de pessoas portadoras de deficiência visual ou que fazem uso de cadeira de rodas é quase nulo.
''Basta dar uma volta pela cidade. Dá para contar nos dedos quantas calçadas estão dentro das normas'', assentiu o síndico do edifício residencial Greenfield's, Marcos Henrique Marangoni, que resolveu dar um bom exemplo de cidadania. Há menos de um ano, quando decidiu reformar a calçada do condomínio, ele procurou construí-la dentro das normas técnicas. ''Já que o dinheiro seria gasto do mesmo jeito, pelo menos faria uma calçada com estruturas tecnicamente adequadas aos deficiente físicos e faria a minha parte para ajudar essas pessoas''. afirmou Marangoni.
Para isso, ele procurou exemplos na cidade, pesquisou na internet sobre as normas e entrou em contato com a Prefeitura. ''Encontrei poucos lugares na cidade com calçadas padrão e tive dificuldades até para comprar o piso'', lembrou o síndico. Na Prefeitura, contou Marangoni, indicaram um fábrica que estava começando a produzir o ''piso tátil'' - piso hidráulico, mas com cores e texturas diferentes, usado em uma única faixa construída na calçada para facilitar a passagem de pessoas que tenham algum tipo de deficiência.
Além dessas dificuldades, o síndico enfrentou o preconceito de alguns moradores do edifício que não queriam esse tipo de piso, pois alegavam, entre outras coisas, que não ficaria bonito. ''Eu consegui convencê-los, lembrando que faríamos um projeto dentro das normas e teríamos a oportunidade de ajudar algumas pessoas'', confessou ele.
O mesmo objetivo foi alcançado pelo síndico do edifício residencial Mercory, Ciro Efran Banachi. ''O condomínio resolveu reformar a calçada e procurei fazer tudo dentro das normas'', frisou ele. No local foi aplicado um piso hidráulico com uma ''faixa tátil''.
Segundo Banachi, no começo, quando ele apresentou a proposta, os moradores acharam o piso estranho e diferente. Mas entenderam que o efeito social seria muito positivo, além de realizarem um projeto dentro das normas técnicas. ''O custo seria o mesmo se não fosse colocado o piso tátil, e o assentamento também não é diferente. Então não havia motivos para a calçada não ser construída dessa forma'', destacou o sindíco.


