Londrina faz design
A criatividade usada como uma arma contra o fechamento de mercado. Assim pode ser resumida a iniciativa dos empresários londrinenses do setor de móveis, que estão resolvendo um dos grandes problemas resultantes da crise cambial: a dificuldade em importar móveis de design. Para atender um mercado crescente, Francisco Marcos Martins, diretor industrial da Arte Nova, e Roseli L. de Oliveira, sócia-proprietária da Freunden Furniture, desenvolveram uma parceria com o arquiteto Henrique Brunelli, que assina novas linhas de mobiliário contemporâneo. As peças serão lançadas esta semana em São Paulo, quando acontece a Gift Fair, considerada a maior feira de presentes, móveis e acessórios decorativos da América Latina.
Esta tendência de produzir em série peças de designers, ainda está engatinhando no Brasil. As duas indústrias de Londrina fazem parte de um seleto grupo que, ao mesmo tempo em que se mantém equipado para produzir móveis de qualidade tão boa quanto a dos importados, acompanha de perto as necessidades do mercado. O público, que acostumou-se a esta linha contemporânea de móveis a partir das importações, está exigindo uma nova linguagem, mais de acordo com os nossos dias, explica Henrique Brunelli.
Na opinião do arquiteto, o londrinense já assimilou a necessidade de criar espaços agradáveis e de acompanhar as tendências mundiais. A cidade já tem um público apto em consumir design e outro, que é ainda maior, apto a conhecer design. Ele aproveita para esclarecer o que diferencia estes móveis dos demais: O mobiliário de design constata e retrata a época em está sendo produzido. Ele consegue assimilar a tecnologia, os materiais e as tendências de sua época, define.
Para o empresário Francisco Marcos Martins, os móveis de linhas contemporâneas estão sendo bastante procurados não porque o público que consome os produtos de primeira linha é outro, mas porque as pessoas estão migrando para este tipo de móvel. Ele afirma que a abertura de mercado não trouxe apenas as novidades, mas a necessidade das empresas se organizarem para acompanhar as tendências. Hoje não basta fazer o móvel, é preciso também vender uma idéia.
Foto: DivulgaçãoAparador de imbuia com metais cromado e pintado. Uma das criações do arquiteto Henrique BrunelliMartins informa que a idéia inicial foi competir com os móveis importados da Europa e Estados Unidos. Porém, o momento está tão propício que um novo horizonte vem se abrindo: o da exportação destes produtos. Segundo ele, o móvel brasileiro sempre foi competitivo em termos de qualidade de material. O que faltava era preço e desenvolvimento tecnológico. Agora estamos tentando reagir à altura. Somos competitivos, diz o diretor da Arte Nova, que assim como a Freunden, terá suas peças - compostas de madeira, metal e vidro - comercializadas por revendedores da marca em todo o País.
A empresária Roseli de Oliveira, que sempre trabalhou na linha de móveis clássicos, diz que a proposta da empresa - que agora oferece os dois tipos de móveis - é encontrar uma saída para esta necessidade específica de mercado: Estamos produzindo móveis de qualidade até superior e, o que é melhor, com custo inferior. Ela lembra que até então existiam profissionais criando peças de design, porém de forma restrita e para atender, geralmente, sua própria clientela.
A empresária acredita que este tipo de produção só está sendo viável graças ao compromisso de buscar alternativas e ao companheirismo entre indústria e profissional. Estamos trocando figurinhas, acredita. Roseli acredita que neste processo não está ganhando apenas o consumidor final, que pode adquirir o produto desejado a preços mais acessíveis. Ganham também os lojistas, que livram-se do processo demorado e desgastante que é a importação.
Para importar, é preciso um capital de giro muito grande, que fica parado na forma de estoque. Com o produto nacional, os lojistas podem trabalhar com pedidos, o que é muito mais vantajoso, explica Roseli.Foto: DivulgaçãoMesa de centro oval criada para a linha contemporânea da Freunden Furniture, em carvalho, metal com pintura eletrostática e latão polidoSilvana Leão





