O conceito não é novo; os primeiros projetos executados pelo alemão Frei Otto datam o final dos anos 50. Mas, com a evolução da petroquímica nos anos 70 e os avanços da informática nas duas últimas décadas, as coberturas em membrana tensionada ganharam impulso e rompem o novo século com avanços tecnológicos que possibilitam a criação de formas estruturais esculturais e multiplicidade de uso.
A arquitetura têxtil, uma das técnicas construtivas apontadas como um dos ícones da construção civil do terceiro milênio, justamente porque alia soluções estéticas criativas, com racionalização de tempo, custos e mão-de-obra, foi introduzida no Brasil há pouco mais de dez anos – basicamente utilizada no eixo São Paulo-Rio-Salvador. Hoje, é o referencial estético do Centro de Eventos de Cambé (Norte do Paraná) e obra diferenciada em toda a região Sul do País, neste segmento de construção e mercado que exige grandes vãos livres, com fortes apelos plásticos e estéticos.
Do projeto concebido pelos arquitetos cambeenses Francisco Hernandez e Mauro Fernandes, com obra executada pela Indarc Construtora e Incorporadora (Londrina), o arquiteto Renato Alves ousou e deu leveza, com alta resistência, a duas das coberturas dos mais de 2,5 mil metros quadrados de área construída para o Centro de Eventos: no palco do anfiteatro, construído para um público de 8 mil pessoas, e na entrada, direcionando os caminhos dos 12 pavilhões de exposição.
Pioneiro na região no estudo e na pesquisa sobre a tecnologia de coberturas em membrana tensionada, o profissional formado em 1996, no curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Estadual de Londrina, é também o diretor da Archtex, uma das seis (únicas) empresas do Brasil que trabalham com este, esteticamente arrojado, tipo de cobertura.
‘‘Na verdade, o termo arquitetura têxtil está sendo utilizado para designar todas as soluções construtivas e criativas, que utilizam o tecido como principal material estrutural e de fechamento na edificação do espaço habitável’’, diz Renato Alves ao abordar as novidades (do século) para o sistema que, das milenares estruturas utilizadas para as formas das lonas circenses, passou pelos traços geométricos de Frei Otto, ganhou a elasticidade do poliéster e a tenacidade dos polímeros de vidro, segurança das estruturas metálicas e estiradores de aço, e a sofisticação nos projetos através de softwares específicos para o desenvolvimento da modelagem.
‘‘É a evolução do material e da técnica construtiva que vem tornando a membrana tensionada uma ampla e viável alternativa de cobertura para os grandes vãos livres’’. O arquiteto argumenta ainda que, por ser extremamente resistente e durável, a lona de alta tecnologia (sustentada por tração de mastros, cabos e estirantes em aço) está atualmente classificada como o quinto elemento construtivo, ‘‘ao lado da pedra, vidro, metal e madeira’’.

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