Misturar materiais e tendências da arquitetura, aproveitar espaços e integrar os ambientes são os conceitos principais dos lofts. O pé direito, no mínimo duplo, também revela uma das características desta alternativa de moradia que surgiu em meados da década de 50 em Nova Iorque, quando artistas plásticos buscavam maneiras mais baratas para morar e ao mesmo tempo trabalhar.
Os barracões ou galpões em bairros menos nobres da cidade americana, usados por fábricas e indústrias, eram os alvos certeiros desses profissionais, que transformavam o espaço em ateliês e estúdios, pagando menos pelo aluguel. Hoje, a idéia de economia ainda é muito forte, pois segundo profissionais do ramo, os projetos ganham em rapidez e economizam até 30% em material de construção.
Durante todo esse período o conceito de loft se consolidou, mas ao mesmo tempo foi aperfeiçoado. Sucesso nas cidades grandes, entre os solteiros e casais sem filhos, a idéia conta com alguns admiradores em Londrina e pode ter uma aceitação ainda maior, de acordo com as arquitetas Alice Prandini e Rosalia Garutti.
Há pouco mais de uma ano, elas construíram um loft e montaram o escritório. O lugar com 80 metros quadrado, dividos em três pavimentos não tem nenhuma repartição. ''Há a sensação de amplitude e liberdade, pois não tem paredes'', revela Rosalia. A escolha pelo loft foi consenso entre as duas que precisavam aproveitar o espaço pequeno do terreno. Na Mostra de Decoração e Interiores (MDI) do ano passado, as duas apresentaram o projeto de um loft, que segundo elas, foi muito bem recebido.
''Essa virou uma maneira de se morar'', garante Alice. O loft, como apontam, permite a mistura de tendências da arquitetura e de materiais de construção e acabamento, entre eles produtos baratos e mais naturais. Em resumo, na opinião das arquitetas e, seguindo o conceito da moradia, essa pode ser uma alternativa sofisticada sem ter um custo alto. No escritório de Alice e Rosalia, por exemplo, boa parte do piso é feita de madeira com toques de mármore. A escada que leva ao mezanino é de aço, e todo o ambiente tem uma influência modernista. ''Neste projeto não tem materiais caros'', acrescentam.
A liberdade e a sensação de espaço proporcionada pela ausência de paredes, conceito principal do loft, provoca um certo receio em algumas pessoas, segundo as arquitetas. Para manter um pouco a privacidade e delimitar os ambientes, no entanto, alguns adeptos usam portas de correr, persianas ou até mesmo o próprio mobiliário. ''Vai um pouco da criatividade de cada um'', apontam. Em um projeto que elas desenvolveram para um casal, por exemplo, foi usado um sanduíche de vidro com uma persiana no meio para separar o quarto dos demais elementos do casa.

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