A coleta seletiva para reciclagem de lixo em condomínios é um processo que depende de uma campanha bem articulada junto aos condôminos e dos procedimentos corretos dos funcionários. Além de diminuir o impacto da ação do homem sobre o meio ambiente, pode ser uma fonte de receita para condomínios de médio e grande porte.
Em cidades onde existem programas específicos de coleta e separação de lixo reciclável, o trabalho de organização de um programa no condomínio torna-se mais fácil. Mas, independente das ações públicas municipais, a reciclagem em edifícios não é impossível. O interesse dos síndicos, administradores e zeladores, somado ao empenho dos condôminos e algumas soluções criativas para organizar a coleta, podem reverter em benefícios diretos para funcionários, o meio ambiente e a melhor qualidade de vida dos moradores.
A iniciativa (mesmo isolada) pode ser implantada porque existem empresas especializadas que compram o material recolhido: vidro, alumínio, papel, embalagens longa-vida, garrafas de refrigerante. Até mesmo canos velhos de um sistema hidráulico reformado podem ser vendidos, ensina o material de orientação elaborado pelo Sindicato da Habitação (Secovi-PR), distribuído também nas delegacias regionais do Estado e à disposição de síndicos e administradores associados.
Em Curitiba, um antigo exemplo de criatividade e rentabilidade, é do Condomínio Edifício Parque Residencial Pinheiros – cinco blocos, com 186 apartamentos, localizado no bairro do Juvevê. Ali, somado à boa vontade e conscientização de 80% dos cerca de 600 moradores e aos quase 14 mil m2 de área do condomínio, a coleta mensal de material reciclado chega a mais de uma tonelada – 1.250 quilos, representando uma renda extra média/mensal de R$ 140,00.
‘‘E este dinheiro é revertido em benefício dos funcionários’’, diz o administrador do condomínio, Edino Morosini, também responsável pela coordenação do programa de reciclagem do lixo. Segundo Morosini, parte deste valor é aplicado na compra de genêros alimentícios, usados nas refeições dos 12 funcionários. ‘‘E como temos um vice-síndico que é nutricionista, o cardápio diário do refeitório é balanceado; ou seja, os produtos comprados são ricos em proteínas, calorias e sais minerais, e dosados de acordo com as necessidades diárias para uma boa alimentação destes funcionários, também responsáveis pelo sucesso e a manutenção do programa’’, salienta.
O administrador do condomínio explica ainda que o dinheiro excedente ao das compras mensais – ‘‘cerca de R$ 60,00’’ – é rateado entre os dois jardineiros, que utilizam o extra para o pagamento de contas pessoais, como de água e luz. ‘‘O benefício foi estendido a estes funcionários porque são eles que fazem a triagem final do material recolhido diariamente (manhã e tarde) dos apartamentos, e esta ajuda representa também vantagens para todos os moradores que passam a ter o condomínio, local de moradia e lazer, sempre limpo e organizado’’.
Para Carlos Luciani, vice-presidnte de Administração de Condomínios do Secovi-PR, qualquer prédio pode optar pela coleta seletiva, desde que o síndico consiga a aprovação dos condôminos na Assembléia. A partir daí já se pode implantar o programa, colocando os funcionários da limpeza para a separação do lixo.
‘‘Quanto à destinação e a comercialização da lata, do papelão ou plástico, o síndico pode recorrer a sucateiros ou outros profissionais do ramo’’, explica Luciani ao citar outros exemplos implantados por edifícios residenciais de Curitiba. ‘‘Alguns revertem o dinheiro recolhido na manutenção e melhoria do playground e quadras de esportes, outros na educação dos funcionários. São medidas que estimulam o interesse das crianças e adultos na separação do lixo e na preservação do meio ambiente, exercício de cidadania que começa dentro de casa’’, completa o dirigente do Secovi.

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