Cerca de 70 mil imóveis do centro de Londrina estão realizando a segregação do lixo orgânico desde a metade do mês, conforme solicitação da Companhia de Trânsito e Urbanização (CMTU). O material separado, no entanto, começará a ser destinado à compostagem só com a nova Central de Tratamento de Resíduos (CTR), que ainda não entrou em atividade, no distrito de Maravilha (Região Sul). Todo o lixo coletado continua sendo despejado no lixão do Limoeiro (Região Leste).
No Edifício Visconde de Barbacena, na região central, o síndico Juliano Mazzo afirma que todos os moradores estão colaborando na nova separação de lixo. ''Estamos descendo os dois tipos de lixo todos os dias (rejeito e orgânico). Hoje (quarta), separamos o orgânico para o caminhão levar.'' O caminhão passa para recolher os resíduos orgânicos todas as segundas, quartas e sextas-feiras, sendo que os rejeitos continuam sendo retirados às terças, quintas e sábados.
Segundo o diretor de operações da CMTU, Luciano Borrozzino, o aterro sanitário do Limoeiro será desativado só em 30 de outubro, mas a administração espera que a nova CTR esteja em funcionamento em cerca de 20 a 30 dias. Enquanto isso, a companhia realiza a gravimetria (medição e classificação) do lixo descartado em Londrina, declarou o presidente do órgão, André Nadai.
A mudança vem ao encontro de leis federal e estadual e de decreto municipal que determina que todas as cidades passem a adotar a compostagem do lixo orgânico. O presidente da CMTU estima que o total de resíduos recebido no lixão esteja entre 340 e 370 toneladas diárias, e que 65% desse material se enquadre na categoria de orgânicos. A nova CTR terá capacidade de realizar a compostagem de apenas 30% desse material.
No momento, os fiscais da diretoria de operações realizam apenas uma ''fiscalização orientativa'' junto aos moradores e empresários da região central. Eles pedem que o lixo orgânico seja acondicionado em sacos plásticos com cor diferente dos demais.
Com a mudança, o lixo orgânico acumulado durante o fim de semana no Edifício Arthur Thomas (região central) aumentou, relata a síndica, Ana Maria Losi, já que aos sábados, o caminhão de lixo passou a recolher apenas o rejeito. ''Se às segundas já acumulava muito lixo, agora mais ainda'', comenta.
O diretor de operações explicou que a separação passará a ser realizada em outras regiões quando o trabalho no centro já estiver avançado, e efetivada em toda a cidade até o início do ano que vem.
Vida útil
A presidente do Instituto BioBrasil, arquiteta Sílvia Saadjian, explica que a vida útil do aterro sanitário aumenta com o aproveitamento do lixo orgânico para compostagem, já que o volume de resíduos levados diariamente ao local diminui, assim como os riscos de contaminação do solo. Ela lembra que o instituto desenvolveu projeto piloto até o final de 2007 em três bairros da Zona Sul de Londrina.
Na ocasião, ficou constatado que a maior parte dos moradores se empenharia em realizar a separação (88%). No entanto, boa parte desse pessoal não sabia diferenciar o lixo orgânico do rejeito. Com isso, ela destaca a importância da ações educativas com a população da cidade, antes de iniciar a coleta de orgânicos. ''Tem que ser muito transparente'', avalia.

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