Livros registram auge das casas
Para registrar o momento nobre e o auge das construções de madeira no norte do Estado do Paraná, o arquiteto Antônio Carlos Zani vai lançar um livro contando a história desse sistema de construção que fez tanto sucesso entre as décadas de 30 e 70. ''Todos os imóveis eram de madeira, dos comerciais aos residenciais e até a igreja'', relembra Zani.
No livro, ele ressalta que esse sistema de construção deu suporte ao desenvolvimento econômico da cidade, na época. Também mostra que a madeira mais usada para a edificação das casas era a peroba-rosa por ser abundante na região. Essa madeira se destacava por ser um produto barato, mas de ótima qualidade e que durava ''eternamente'', como considerou o arquiteto. A construção das casas se fazia basicamente com vigas e caibros de peroba, com vedação de tábuas e mata-junta (fasquia que serve para tapar a junta entre tábuas).
O arquiteto destaca também os dois períodos da arquitetura em madeira do século passado. O primeiro vai da década de 30 até meados da década de 40. ''Nesse primeiro período os modelos apresentavam bastante simplicidade. Eram imóveis construídos por pessoas que estavam chegando na cidade para trabalhar'', pontua Zani.
O segundo período que vai dos anos 50 até a década de 70 é considerada mais sofisticada. As construções passaram a ser mais trabalhadas e eram edificadas por pessoas que já estavam aqui e tinham ganho dinheiro com o café da região. ''Os imóveis começaram a ter uma preocupação estética, com ornamentos mais trabalhados'', conta Zani. As telhas das primeiras casas, explica, eram do tipo tabuinhas de cedro, que depois foram adaptadas para as telhas de cerâmica.
Outro trabalho que mostra as construções em madeira na região é do fotógrafo Carllos Bozelli. O projeto ''Arquitetura de Madeira na Zona Rural de Londrina'', reúne dezenas de fotografias. A idéia, segundo o fotógrafo surgiu da necessidade de material sobre o assunto. ''Não conhecia nenhuma obra que tratasse deste assunto em nenhum lugar da cidade, nem na Bibiloteca Pública'', diz Bozelli. O projeto foi desenvolvido no ano 2000 e recebeu o apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Bozelli adianta que uma nova edição do projeto vai ser preparada, mas agora com fotos de residências urbanas.





