Carolina Avansini
Especial para a Folha
‘‘Contemporaneidade da Arquitetura Brasileira’’ é o título do belíssimo livro lançado pelo arquiteto Ruy Ohtake na 4ª Bienal Internacional de Arquitetura, que acontece em São Paulo até o dia 25 de janeiro. Com texto do crítico cubano Roberto Segre e edição de Ricardo Ohtake, a obra traça um panorama da produção do arquiteto e designer desde o início de sua carreira, nos anos 60, até projetos mais recentes, muitos ainda não executados. São 209 páginas ilustradas com belas fotografias coloridas e textos em português, espanhol e inglês.
Graduado pela faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo em 1960, Ohtake viveu os primeiros anos da euforia construtiva da década, pontuada pelo surgimento de Brasília. Aluno de Villanova Artigas, desde cedo sentiu-se atraído pela obra de Oscar Niemeyer, com quem manteve ininterrupta amizade. Iniciou sua carreira quando o concreto aparente era moda, radicalizando suas experimentações com o material. Nos anos 60 e 70, o arquiteto fez casas inteiras de concreto, criando texturas, pisos e sistemas de produção. Foi nesse período que desenvolveu as composições de curvas, que caracterizam várias casas e edifícios pertecentes à sua obra.
Trinta anos depois, Ruy Ohtake incorpora aço, alumínio e vidro em seus projetos, mas mantém o concreto como matriz fundamental de sua produção. Basta examinar uma obra recente, como o Hotel Renaissance em São Paulo, para compreender essa harmoniosa síntese de formas, cores e materiais. Vista de longe, a torre de alumínio se destaca na confusão de edifícios na Avenida Paulista. Observada de perto, a base curvilínea da construção ‘‘conversa’’ amigavelmente com a rua.
No geral, o livro mostra um Ruy Ohtake multifacetado, com trabalhos de planejamento urbano – como é o caso do projeto do Parque Tietê, em São Paulo –, edifícios – como a embaixada do Brasil em Tóquio – e mobiliário combinado com concreto, madeira industrializada e aço. Também mostra a leitura contemporânea que Ohtake faz da arquitetura brasileira, inclusive prenunciando as diretrizes arquitetônicas para o próximo milênio.Com texto do crítico cubano Roberto Segre, obra sobre contemporaneidade da arquitetura brasileira traça um panorama da produção de Ruy Ohtake
ReproduçãoHARMONIAResidência no litoral norte de São Paulo projetada por Ohtake: harmoniosa síntese de formas, cores e materiais

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