Profissionais independentes e empresários do setor imobiliário reclamam que o tempo de espera para a aprovação de projetos e liberação de licenças para a construção de imóveis pela Prefeitura de Londrina tem atrasado obras pela cidade. Eles alegam que o tempo de espera interfere na progamação de serviços atrasando a entrega das casas prontas. A prefeitura atribui a demora à grande demanda de projetos submetidos a aprovação, à falta de mão de obra na secretaria e a correções que precisam ser feitas nos projetos .
O arquiteto Vinícius Coutinho relatou que o tempo médio para a aprovação de um projeto para uma nova construção chega a seis meses. Quando as casas são geminadas e precisam da subdivisão dos lotes, esse prazo pode aumentar. ''As casas ficam prontas muito antes de a papelada da prefeitura ser emitida, o que é errado. Mas quando se decide construir não é possível esperar tanto tempo para dar início a uma obra, pois temos que levar em conta também que a casa demorará de oito meses a um ano para ficar pronta'', argumenta.
De acordo com o arquiteto e com um construtor independente que prefere não se identificar, os atrasos na documentação ocorrem basicamente porque são solicitados ajustes nos projetos que, na opinião deles, entram até em desacordo com o Código de Obras municipal. Com a demora, a obra fica parada acarretando transtornos, desestimulando o mercado imobiliário e os empreendedores da construção civil a executarem projetos.
A primeira burocracia em que se esbarra o processo de aprovação de projetos da construção civil, conforme relata Coutinho, é no projeto de gerenciamento e resíduos da construção civil. ''O prazo médio estava sendo de 5 a 7 dias e hoje foi ampliado para 30 dias sem alteração nenhuma na lei'', afirma. Na sequência, a próxima etapa a ser vencida é com a vistoria do imóvel. ''O corretor faz a vistoria que é reavaliada por um engenheiro, o que emperra o processo.''
Número de projetos aumentou
A Secretaria Municipal de Obras afirma que o número de projetos submetidos a aprovação cresceu espantosamente desde o lançamento do programa Minha Casa Minha Vida, impedindo ainda mais a fluidez do trabalho da Secretaria. Desde o início do programa (2009) até o ano passado, o número de projetos aprovados cresceu 18%. Quando comparado ao ano anterior ao programa, então, o número é 23% maior. Em 2011, foram aprovados 3.745 projetos e um total de 1.349 mil metros quadrados. Só até abril deste ano, 916 projetos e 617 mil metros quadrados de obras já foram aprovados pela Secretaria.
O diretor de aprovações de projetos da Secretaria, Edson Ogaki, observa ainda que as aprovações de projetos de construções misturam-se a outros processos que ficam a cargo da Secretaria, como o Habite-se, segundas-vias de documentos, demolições, reformas, fiscalizações de obras com problemas, atrasando ainda mais o trabalho.

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