Leve fantasia para o quarto das crianças
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de agosto de 2000
Célia Baroni De Londrina 
Pintar paredes usando cores e texturas para criar climas nos ambientes é uma arte conhecida desde a antiga Grécia. Já veio e voltou muitas vezes, sempre acrescida de novidades, adaptada às necessidades de cada tempo. Mas se a pintura de paredes vai e vem; a decoração das paredes dos quartos de bebês e crianças nunca sai da moda. Ainda pouco explorada, estas pinturas encantam e transformam o ambiente, criando um mundo de fantasia sempre presente.
As paredes são folhas em branco perfeitas para contar histórias e estimular a criatividade da criança. Acabam sendo uma referência da história da vida de cada um, acredita a artista plástica Rossana Ziller. Ela conta que ainda tem e lembra com prazer de um prato de porcelana pintado por sua tia. Neste prato havia animais variados, pessoas e bichinhos. Comia esperando para ver o que ia aparecer primeiro e só parava quando toda a pintura estava à mostra, recorda.
A história-base, é normalmente escolhida pelos pais. Ela ressalta que infelizmente, a pessoas costumam pintar apenas as paredes dos quartos dos bebês. Poucos pais percebem que mesmo as crianças maiores gostam de ter seu quarto diferenciado com uma parede de histórias, comenta. Rossana Ziller conta que a pintura das paredes personaliza o quarto agradando também a adolescentes.
Para os quartos do bebê, o tema de ursinhos ainda é o mais pedido. Está na moda, diz a artista plástica. Mas ela orienta que esta não é a única alternativa e cita como exemplos a utilização de coelhinhos e outros animais também muito simpáticos assim como figuras infantis. O limite é a imaginação da criança e dos pais. Os dois lados são sempre ouvidos quando a criança já tem idade para se expressar, complementa.
Rossana Ziller lembra que a escolha dos personagens (animais, crianças, bonecas, etc.) está desvinculada da história que vai ser contada. O local onde a história central vai se desenrolar é que vai orientar ação dos personagens. Um piquenique no campo; a natureza e os animais; uma fazenda; etc. O artista tem de ter um cuidado maior com os detalhes histórias dentro da história. São eles que estimulam a imaginação da criança, fazendo com que cada pedaço seja sempre uma nova descoberta.
A artista plástica frisa a importância de dar uma personalidade diferente para cada personagem que compõe a pintura. Não é porque o trabalho é com ursinhos que todos eles têm de ser iguais. Na vida real ninguém é igual a ninguém, afirma. Esta diferenciação também ajuda a criar novas histórias.
Para aperfeiçoar seu trabalho, Rossana Ziller usa uma técnica especial chamada Trompe LOeil (enganando os olhos). A tela Monalisa de Michelângelo, fez com que o cientista e pintor fosse considerado como o primeiro a conseguir utilizar a perspectiva sensação viasual de profundidade física. Mas, na verdade a técnica Trompe LOeil, utilizada em 76 a.C, já trazia muito do conceito de perspectiva.
A técnica consiste em trabalhar com efeitos de luz e sombra em pontos estratégicos fazendo com que o desenho ganhe relevo e textura tão real que a vontade de tocar e conferir é quase irresistível. A artista plástica conta que utiliza a técnica em alguns detalhes para dar mais realismo à história.
Para ela, a falta de profissionais especializados na arte de pintar paredes para crianças é o principal motivo que leva as pessoas a não utilizarem este recurso de decoração. A relação oferta-procura fez com que, durante muito tempo, esta arte ficasse restritas a pessoas que pudessem pagar (e bem) pelo serviço. Atualmente, complementa Rossana Ziller, ela está acessível a todos.


