Construção limpa, sem geração de entulhos. Essa é a proposta da Resolução Nº 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que tem a finalidade de reduzir os impactos ambientais resultantes do lixo na construção civil e preservar os recursos naturais, como por exemplo, areia de rio e agregados. A lei está em vigor desde o dia 1º de janeiro deste ano, e a caçamba que foi durante muito tempo símbolo do canteiro de obra, abre espaço para sistemas racionalizados e uma nova forma de planejar e construir sem sujeira.
Para dar início às mudanças, o Conama dividiu os resíduos sólidos em quatro categorias: materiais recicláveis ou que podem ser encaminhados para aterros sanitários (blocos de concreto, solos, telhas, placas de revestimento, brita e argamassa), materiais recicláveis que podem ser armazenados temporariamente, até serem reaproveitados (plásticos, papéis, metais, vidros e madeiras), material solúvel na água e prejudicial ao meio ambiente e materiais tóxicos (tintas, solventes, óleos, entre outros).
As construtoras terão de apresentar, junto com o projeto arquitetônico e de engenharia, um programa de gerenciamento de resíduos sólidos, determinando a quantidade, a qualidade do entulho e onde ele será depositado. Além disso, elas passam a ser responsáveis pela destinação do lixo gerado. Se o entulho for depositado em local inadequado, a construtora será penalizada com uma multa de R$ 6 mil por caçamba que despejar entulho irregularmente.
Mesmo antes da lei entrar em vigor, muitas construtoras já haviam constatado que o entulho no canteiro de obra é sinal de desperdício e prejuízos. Em função disso, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) vem desenvolvendo programas e incentivando o uso de sistemas construtivos que visam a redução das sobras e a racionalização.
''As construtoras já avançaram muito, mas é preciso investir mais para reduzir as perdas nos processos, e assim diminuir os custos até a ponta do consumidor. Daí a necessidade de envolver toda a cadeia da construção e fazer o mercado produzir materiais padronizados, dentro das normas, beneficiando a todos com materiais modulados, como acontece em outros países'', esclarece o engenheiro Carlos Roberto Giublin, gerente da ABCP Sul.
A exemplo disso, técnicas como a alvenaria estrutural com blocos de concreto tem sido largamente utilizadas não apenas devido à redução do volume de resíduos, mas também pela diminuição das horas de trabalho e do consumo substancial de alguns materiais, tais como madeira, aço e revestimento. Neste sistema, o projetista consegue calcular o número exato de blocos que serão utilizados e eliminar as etapas de rasgos nas paredes para colocação de instalações elétricas e hidráulicas, que conduz ao desperdício e retrabalho.
Considerando todas estas vantagens, o metro quadrado de parede pronta de blocos de concreto chega a ser 25% mais barata que as demais alternativas. Outro exemplo é uso dos pré-fabricados de concreto, que também atende a Resolução Conama. As peças de concreto são preparadas na fábrica e trazidas diretamente para o canteiro, prontas para serem encaixadas e formar assim, a edificação.

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