Jogo de contraste valoriza antiguidades
Célia Baroni
O charme de uma televisão colocada estratégicamente em um armário do século 18, fazendo as vezes de estante na sala. Um baú da época do império brasileiro como rack móvel, encaixado em uma estante de linhas modernas. Na sala de estar, um armário rústico mineiro, colorido de azul divide espaço com mesinhas e consoles italianos e franceses de estilo Luiz VI.
O estilo clean atual trouxe de volta o jogo de contraste de madeiras escuras com as claras e valorizou ainda mais a utilização de móveis de época (antigos) como forma de personalizar o ambiente. A antiquária Marilza Simões afirma que os móveis de época nunca deixaram de fazer parte da decoração dos ambientes, principalmente dos mais requintados. Sempre foram símbolo de bom gosto. Mas as linhas suaves e despreendidas dos designs atuais destacam ainda mais as linhas do móvel antigo clássico, normalmente cheio de detalhes, avalia.
O prazer de ter uma peça antiga em casa não é fácil de ser alcançado. Além do preço significativo ( o móvel antigo tem o valor histórico agregado ao preço), a dificuldade do comprador em reconhecer a autenticidade das peças torna a escolha uma verdadeira caça ao tesouro. O pequeno número de estabelecimentos que trabalham com mobiliário antigo torna a escolha ainda mais difícil.
As diferenças de movimentos próximos são normalmente sutis. Até mesmo experts têm histórias de erros no currículo. Por isto, orienta Marilza Simões, antes de adquirir uma peça antiga procure um antiquário experiente e de confiança que possa avaliar o móvel. Não corra o risco de comprar gato por lebre. Não é só o risco de adquirir uma réplica do móvel desejado pelo preço do original. Diferenças de um movimento para outro, normalmente significam séculos de história e um valor de mercado completamente diferente.
Ao contrário das mudanças atuais (modismos) que trazem cores e linhas diferentes a cada estação, antigamente as alterações demoravam até um século para se concretizar. Obedeciam principalmente aos humores da realeza que ditavam as normas do bom gosto, retrado nos designs dos móveis.
A mudança era lenta e dentro de cada grande movimento (elizabetano, barroco, império, etc), apareciam estilos que permaneciam até por duas décadas misturando novas propostas às linhas do movimento. Alguns importantes como o Biedermeier e o Art Deco, e outros tão irrelevantes que o móvel perde qualquer valor comercial.
Há que se considerar ainda que cada movimento teve uma interpretação diferente nos países onde foi adotado. Mais requintados, os móveis franceses, italianos e os ingleses, considerados clássicos, têm mais aceitação, disputando o gosto do brasileiro pelo rústico colonial mineiro.
Já os móveis antigos portugueses e espanhóis, analisa Marilza Simões, são menos procurados. Explica que, mesmo absorvendo os princípios das variações dos movimentos eles continuaram pesados visualmente.
O primeiro dado importante para o leigo saber é que o móvel só é considerado antigo a partir dos 100 anos de vida. O antiquário Milton Simões vai além. Lembra que o valor histórico e comercial também depende da qualidade da feitura, do estado de conservação e da preservação das características originais do móvel.
Mesmo para quem gosta de antiguidades Marilza Simões aconselha a utilização destes móveis com parcimônia. Por mais bonitos que sejam, diz, os móveis antigos, à exceção dos rústicos, costumam ser escuros e cheios de detalhes podendo pesar no ambiente e fazê-lo ficar parecendo um antiquário.Símbolo de bom gosto e refinamento, o móvel antigo ajuda a personalizar e dar um toque todo especial aos ambientes contemporâneos
Mario CesarCômoda Maggiolino Móvel italiano no estilo Luiz XIV (início de 1700), da antiquária Giuseppina MapelliMario CesarCômoda longa em estilo Bulê do século 19, de Marilza Simões AntiguidadesMario CesarArmário mineiro colonial (1700), da antiquária Giuseppina Mapelli





