A liberdade e o prazer de ter um jardim é o que leva a maioria das pessoas a sonhar e escolher viver em uma casa. Ele materializa a necessidade de poder ‘‘sair’’ e continuar ‘‘dentro’’, protegido. O gozar a natureza sem riscos, moldada ao nosso próprio gosto. E se somos reis e rainhas onde moramos, é no jardim que deixamos as responsabilidades do mando e nos entregamos à parte prazerosa de ser ‘‘senhores’’ do espaço e, por que não, do tempo?
Não é por acaso que, no imaginário humano, o paraíso costuma ser descrito como um grande e maravilhoso jardim.
O arquiteto e paisagista Carlos Kuhnlein explica que o jardim tem de ser um colírio para os olhos oferecendo aos sentidos cores e texturas harmoniosas. Dele espera-se que seja ainda um ‘‘alento’’ para a alma; um lugar para apreciar o belo, relaxar ou simplesmente divagar entre pensamentos tristes ou contentes.
Por tudo isto o espaço dedicado a ele não pode ser tratado com descaso. Tirar dele o máximo de prazer exige um projeto cuidadoso levando em consideração desde a arquitetura da casa a que ele irá servir, até a topografia do terreno, o tipo e o porte das plantas.
Carlos defende que o jardim deve respeitar os padrões climáticos da microrregião onde se encontra. O paisagista explica que dá preferência ao estilo tropical. A escolha certa dá ao jardim durabilidade, resistência e garante uma manutenção mais fácil.
No jardim da piscina da Mostra de Decoração e Interiores – 6ª MD&I – de Londrina, o arquiteto e paisagista Carlos Kuhnlein prova a importância deste espaço. ‘‘Ele é um dos espaços mais importantes da casa porque é o primeiro a ser contemplado e cria a primeira emoção’’, afirma o arquiteto.
A casa onde se realiza a mostra se abre para ele com a mesma ênfase com que contempla o Lago Igapó. A arquitetura sem um estilo definido e extremamente reta da casa que fica de frente para o lago, foi quebrada pelo projeto de jardim com formas orgânicas, curvilíneo.
Acompanhando o muro coberto de hera, o jardim projetado por Kuhnlein formou uma moldura cheia de sinuosidades. Recurso que suavizou a estrutura angulosa da casa. Concentrou as plantas nas laterais e manteve a área central limpa. Fórmula do paisagista para garantir o tempo de insolação da área em volta da piscina.
Mantendo espaço limpo ele garantiu o aproveitamento máximo da paisagem formada pelo lago. A presença de poucas plantas de porte permitem que, da piscina, o olhar vagueie sobre as águas. É quase como se ele também fizesse parte do jardim da casa.
Do jardim original, o paisagista manteve apenas a mangueira à entrada, e um pinheiro. Um belíssimo exemplar de pata de elefante de 30 anos foi colocado em frente a casa, próximo à varanda. Fênix e um pé de camélia são as únicas espécies de porte espalhadas estrategicamente no gramado.
Nas laterais imperam espécies como o gengibre vermelho, a callisia roxa e a mini-ixória em cor coral. ‘‘A pitada certa de cor para quebrar a exuberância do verde das plantas e o azul da água da piscina e do lago’’, descreve.
Ele explica que o uso moderado de flores teve o objetivo de valorizar e não distrair a visão da paisagem do lago. Os seixos brancos quebram o verde e iluminam a paisagem valorizando o traçado do jardim. (C.B.)

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