Curitiba - Os grandes aumentos de preços de materiais de construção ocorreram nos itens básicos. De acordo com grandes lojas, o movimento não caiu tanto porque os clientes não tinham opção de trocar de produto. ''No caso dos acabamentos, sempre dá para trocar um bom para algo mais barato, ou então deixar de fazer. Mas não dá para ficar sem cimento, sem pedra, sem areia'', avaliou a gerente de uma unidade da Balaroti, Joseane Fernandes.
Segundo Joseane, o fluxo de clientes em janeiro e fevereiro é sempre menor do que nos outros meses. ''Mas está dentro do esperado. Os clientes falam que os produtos básicos subiram bastante, mas eles continuam comprando, porque precisam'', relatou. Ela disse que o preço das matérias-primas subiu bastante, e por isso não há como não repassar a alta dos custos. ''O problema é que o consumidor não tem opção de marca, não é como nos supermercados. No caso do cimento, por exemplo, nem adianta procurar, porque não vai achar preço menor'', explicou.
O interesse das lojas é impedir os aumentos, de acordo com Joseane. O gerente de outra rede de lojas Cassol, Luis Carlos de Arruda, também afirmou que são feitas negociações para barrar aumentos, mas não há como evitá-los. ''Claro que isso sempre influencia um pouco na decisão de construir'', observou. Para tentar segurar os clientes, as lojas também oferecem várias opções de parcelamento e até de financiamento.
A expectativa do setor da construção civil para os próximos meses não é muito boa, de acordo com o presidente do Sinduscon PR, Ramon Doria. O Custo Unitário Básico (CUB) em janeiro deste ano atingiu 1,67%. Isso representa mais do que o índice acumulado entre janeiro e junho do ano passado, que foi de 1,48%. ''Isso é muito significativo, ainda mais porque a maioria dos aumentos do ano passado ainda não foram repassados'', acrescentou.