Para o arquiteto londrinense Guido Petinelli, o mercado voltado à eficiência energética é bastante promissor. "Essa área é um mercado em expansão, ainda mais com a crise histórica hídrica, que praticamente dobrou neste ano o custo da energia elétrica. É preciso trabalhar de forma inteligente para fazer 'mais com menos' e as novas tecnologias associadas às práticas inovadores vêm contribuir para isso", avalia. Petinelli irá participar do Ciclo de Palestras do Ceal abordando a relação entre eficiência energética e a geração local de energia em edificações. Radicado em Curitiba e sócio-proprietário da empresa de engenharia e consultoria Petinelli, ele tem mais de 200 projetos concretizados de edificações sustentáveis por todo Brasil.

Tendo como foco a redução do consumo de energia elétrica a partir do aproveitamento da luz natural e uma série de medidas, Petinelli lembra que o grande desafio do profissional que atua na área da construção civil é demonstrar a viabilidade econômica dos projetos que visam a eficiência energética. "É preciso ter um olhar prático, focado em como aplicar hoje os recursos disponíveis, que estão cada vez mais acessíveis e baratos", acrescenta.

Como exemplo de dois projetos bem-sucedidos envolvendo a eficiência energética, desenvolvidos por sua empresa, ele cita uma creche-modelo em Itajaí (SC), que utiliza 100% de energia renovável (que corresponde a uma economia anual de R$ 2.906 com água e R$ 72.354 com energia) e a fábrica de Coca-Cola em Maringá, a primeira fábrica de refrigerante do Brasil com certificação LEED, possibilitando uma economia anual de 87% no consumo de água e 22% em energia (R$ 206.000 e R$ 1.370.000, respectivamente).

Atualmente, o Brasil ocupa o quarto lugar no ranking dos países com mais edificações sustentáveis e que buscam certificação ambiental (o Paraná é o terceiro lugar no ranking nacional). "Ainda é um nicho pequeno aqui e no mundo, mas a nossa posição no ranking demonstra que o mercado brasileiro não está ficando para trás. Temos desafios distintos, como investir mais na capacitação profissional para o uso das tecnologias disponíveis e melhorar a remuneração profissional, mas há uma boa perspectiva de crescimento", observa. (A.P.N.)

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