Investimento demora para ter efeito
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domingo, 31 de dezembro de 2006
Agência Brasil 
Brasília - O aumento do investimento público em habitação ainda vai demorar alguns anos para reduzir a falta de moradia no país, avalia o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki. ''O impacto de investimento na habitação leva, no mínimo, de um a dois anos para ter resultado completo uma vez que entre o financiamento de uma nova unidade habitacional e a efetiva construção e habitação dessa unidade, teremos sempre um período grande que pode variar até mais do que dois anos. O impacto não cessa no primeiro momento do investimento'', avalia. ''Uma política continuada vai gerar impacto em 2010 porque o problema habitacional é complexo e os resultados não aparecem em um prazo muito curto''.
Dados do Ministério das Cidades indicam que o investimento em habitação deve alcançar R$ 24 bilhões em 2006. Mesmo assim, dados da Fundação João Pinheiro, de Belo Horizonte, inficam que o déficit habitacional brasileiro subiu 23,4% desde 2004.
O simples aumento de investimento em habitação, segundo Nabil, também não significa necessariamente que vai haver redução do déficit habitacional. ''Depende muito de para quem e para onde está indo o recurso''. O problema, segundo ele, é que em grandes metrópoles, o custo da moradia é mais alto do que nos pequenos municípios.
''Se pegarmos os municípios menores, provavelmente o impacto deve ter sido grande porque é bem mais fácil produzir habitação nessas cidades que tem maior disponibilidade de terra. Na região metropolitana de São Paulo e do Rio de Janeiro, por exemplo, os financiamentos praticamente não conseguem dar conta de atender às necessidades de moradia'', explica.
Para Nabil, a expectativa é que o Plano Nacional de Habitação regionalize as demandas habitacionais e possa criar limites de financiamento compatíveis com o custo da habitação e a capacidade de pagamento da população nas diferentes regiões. ''Está prevista na nova Política Nacional de Habitação a criação de grupos que tenham homogeneidade em relação à capacidade de aquisição de moradia e não grupos que sejam movidos com a renda familiar absoluta'', esclareceu.
''Combinando região metropolitana com assentamentos precários e população de baixa renda temos o foco principal onde uma política urbana deve hoje se preocupar'', comentou Nabil. O urbanista foi um dos coordenadores do Projeto Moradia, plano desenvolvido em 2000 pelo Instituto Cidadania que deu origem ao programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a área.


