Assumir a função de síndico, principalmente em condomínios residenciais, não é uma tarefa fácil e, de modo geral, não desperta o interesse da maioria das pessoas. Mas para aqueles que se propõem a assumir essa tarefa, investir no desenvolvimento da inteligência emocional pode fazer a grande diferença, ajudando a lidar melhor com as demandas do dia a dia, que podem também incluir diversos tipos de conflitos.

Os sentimentos costumam aflorar dependendo da complexidade da situação e um exemplo corriqueiro são alguns embates sujeitos a ocorrer nas reuniões condominiais, em que o síndico pode se sentir acuado diante de alguma situação mais polêmica. O controle emocional, em tese, naturalmente vai ocasionar mais tranquilidade e discernimento na tomada de decisões e na administração de situações delicadas em que o síndico se envolve comumente.

Entre as principais competências emocionais que podem contribuir para uma gestão condominial bem-sucedida estão a persistência - necessária para enfrentar desafios e adversidades -, a introversão - ótima aliada para a criatividade - e a paciência - a "mãe" do controle emocional como um todo. Exercer a empatia – que nada mais é do que saber se colocar no lugar do outro – também é de suma importância para o síndico saber atuar com delicadeza e sabedoria, resolvendo assim o problema sem maiores desgastes.

Em sua segunda gestão como síndica em um condomínio com 44 apartamentos, a pedagoga e psicóloga Jozilda Lopes de Souza reconhece a inteligência emocional como fundamental para saber atuar de forma bem-sucedida no âmbito da gestão coletiva. "Uma das coisas mais importantes e que sempre coloco em prática é saber ouvir, levando em conta todas as versões e filtrando-as adequadamente, sem recorrer a fofocas. De modo geral, as pessoas estão muito tensas, raivosas, e é preciso aprender a agir de forma tranquila e equilibrada, ainda mais quando se exerce uma função de liderança", destaca.

Outra orientação sugerida por ela é "nunca tentar corrigir alguém na hora do erro" por mais razão que se possa ter: "Isso não adianta nada. As duas partes precisam ter calma para assimilar qualquer aprendizado. E sempre uso um tom de conversa e não de agressão". Tentar agradar a todos não é considerado por ela um ideal a ser seguido e ter "pulso firme" e determinação são apontadas também como características que procura manter como síndica.

"Mas tudo isso seguindo o princípio do equilíbrio, sem tratamento diferenciado, e é muito importante que o síndico tenha pleno conhecimento das regras que regem o condomínio. Isso facilita muito até porque ressalta a ideia de estar sendo solicitado algo que 'já está estabelecido' e que não é de âmbito pessoal", pondera. "Procuro sempre equilibrar a razão e a emoção, mantendo a posição de mediadora. Outro fator bastante válido é ter planejamento e estratégia partindo das pequenas coisas que precisam ser melhoradas ao invés de fazer promessas evasivas", conclui.

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