‘‘Apenas a integração global nos projetos permite que os recursos tecnológicos, hoje disponíveis à indústria da construção civil brasileira, sejam utilizados corretamente, de forma a obter os ‘‘ganhos’’ propostos - menor tempo de obra, índices menores no desperdício em material, maior qualidade final do produto e consequentemente, maior produtividade, menores custos e maior lucratividade em vendas.’’
A engenheira civil Maria Angélica Covelo da Silva abriu a Jornada de Tecnologia Aplicada à Construção (realizada em Londrina pelo Clube de Engenharia e Arquitetura) enfatizando que este conceito deve ser empregado pelas construtoras e projetistas contratados. ‘‘É característica básica, preceito para que possamos assimilar e aplicar tecnologia ao setor. E a integração de projetos só acontece se este fluxo for construído de forma correta e estabelecido a partir das diretrizes de procedimentos em planejamento’’.
Em resumo, não adianta, depois de pronta toda a estrutura de um edifício de 15 pavimentos, por exemplo, achar que usando as paredes internas de gesso acartonado nas unidades, a obra terá redução de até 20% do custo. ‘‘Só haverá este ganho se, desde a concepção do projeto, essa tecnologia estiver inserida. O ganho com este tipo de recurso citado como exemplo, só acontece se todos os projetos estiverem interligados - o estrutural (com alívio de peso e consequente economia de material e tempo de construção); o hidráulico e elétrico que têm que ser específico para este sistema, vedação, janelas, portas, piso. Enfim, para se obter o benefício final, é preciso que desde o início tudo esteja determinado em projeto’’, argumenta a profissional.
Mesmo parecendo o óbvio para europeus e norte americanos, países onde este conceito é aplicado no mínimo há cinco décadas, foi só nos últimos anos que a indústria da construção brasileira ampliou as vias de acesso para as novidades tecnológicas do setor. ‘‘O próprio contexto econômico do país não permitia uma exposição maior. Era muito, muito caro importar tecnologia e as grandes indústrias internacionais até então não haviam descoberto o potencial do mercado construtor brasileiro’’, justifica Maria Angélica.
Ela comenta que com a abertura do país ao mercado externo e a estabilidade econômica-financeira interna, escritórios de grandes construtoras, projetistas e representantes de produtos industrializados diferenciados se instalaram ou se associaram aos daqui. E em momento muito delicado para todo o setor. ‘‘Foi quando as construtoras, sem muitas fontes de recursos para obtenção de crédito, tiveram que financiar a própria produção. E aí era preciso enxugar custos, viabilizar negócios e acertar o alvo nas vendas. E só a tecnologia permite essa conquista’’.
Segundo ela são duas as vertentes que geram esta importância. ‘‘Os novos produtos imobiliários têm que acertar o alvo, que é na medida do poder de compra do consumidor. E para competir com rentabilidade, ou seja, vender, as empresas têm que eliminar as ‘gorduras’, enxugar custo também para o comprador. E só há um caminho para atingir estes objetivos: o emprego da tecnologia.’’
Maria Angélica deixou um recado claro para os empreendedores da produção imobiliária presentes à Jornada. Um recado que vale para pequenas e grandes construtoras, com pequenas ou grandes obras. ‘‘Não é mais o tamanho de uma empresa que determina seu poder de competição no mercado. É a capacidade produtiva estabelecida em critérios técnicos com qualidade. Na construção civil, o ciclo que garante a qualidade tem como arrimo a união do fluxo, a integração completa dos vários agentes da cadeia da produção’’.DivulgaçãoPalestra da engenheira Maria Angélica Covelo da Silva: ‘‘Para competir com rentabilidade só há um caminho: o uso da tecnologia’’Ciclo que garante a qualidade na construção civil tem como arrimo a união do fluxo e a completa integração da cadeia produtiva

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