Integração de projetos é item fundamental para obter ganhos
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de abril de 1999
Ligia Barroso 
Apenas a integração global nos projetos permite que os recursos tecnológicos, hoje disponíveis à indústria da construção civil brasileira, sejam utilizados corretamente, de forma a obter os ganhos propostos - menor tempo de obra, índices menores no desperdício em material, maior qualidade final do produto e consequentemente, maior produtividade, menores custos e maior lucratividade em vendas.
A engenheira civil Maria Angélica Covelo da Silva abriu a Jornada de Tecnologia Aplicada à Construção (realizada em Londrina pelo Clube de Engenharia e Arquitetura) enfatizando que este conceito deve ser empregado pelas construtoras e projetistas contratados. É característica básica, preceito para que possamos assimilar e aplicar tecnologia ao setor. E a integração de projetos só acontece se este fluxo for construído de forma correta e estabelecido a partir das diretrizes de procedimentos em planejamento.
Em resumo, não adianta, depois de pronta toda a estrutura de um edifício de 15 pavimentos, por exemplo, achar que usando as paredes internas de gesso acartonado nas unidades, a obra terá redução de até 20% do custo. Só haverá este ganho se, desde a concepção do projeto, essa tecnologia estiver inserida. O ganho com este tipo de recurso citado como exemplo, só acontece se todos os projetos estiverem interligados - o estrutural (com alívio de peso e consequente economia de material e tempo de construção); o hidráulico e elétrico que têm que ser específico para este sistema, vedação, janelas, portas, piso. Enfim, para se obter o benefício final, é preciso que desde o início tudo esteja determinado em projeto, argumenta a profissional.
Mesmo parecendo o óbvio para europeus e norte americanos, países onde este conceito é aplicado no mínimo há cinco décadas, foi só nos últimos anos que a indústria da construção brasileira ampliou as vias de acesso para as novidades tecnológicas do setor. O próprio contexto econômico do país não permitia uma exposição maior. Era muito, muito caro importar tecnologia e as grandes indústrias internacionais até então não haviam descoberto o potencial do mercado construtor brasileiro, justifica Maria Angélica.
Ela comenta que com a abertura do país ao mercado externo e a estabilidade econômica-financeira interna, escritórios de grandes construtoras, projetistas e representantes de produtos industrializados diferenciados se instalaram ou se associaram aos daqui. E em momento muito delicado para todo o setor. Foi quando as construtoras, sem muitas fontes de recursos para obtenção de crédito, tiveram que financiar a própria produção. E aí era preciso enxugar custos, viabilizar negócios e acertar o alvo nas vendas. E só a tecnologia permite essa conquista.
Segundo ela são duas as vertentes que geram esta importância. Os novos produtos imobiliários têm que acertar o alvo, que é na medida do poder de compra do consumidor. E para competir com rentabilidade, ou seja, vender, as empresas têm que eliminar as gorduras, enxugar custo também para o comprador. E só há um caminho para atingir estes objetivos: o emprego da tecnologia.
Maria Angélica deixou um recado claro para os empreendedores da produção imobiliária presentes à Jornada. Um recado que vale para pequenas e grandes construtoras, com pequenas ou grandes obras. Não é mais o tamanho de uma empresa que determina seu poder de competição no mercado. É a capacidade produtiva estabelecida em critérios técnicos com qualidade. Na construção civil, o ciclo que garante a qualidade tem como arrimo a união do fluxo, a integração completa dos vários agentes da cadeia da produção.DivulgaçãoPalestra da engenheira Maria Angélica Covelo da Silva: Para competir com rentabilidade só há um caminho: o uso da tecnologiaCiclo que garante a qualidade na construção civil tem como arrimo a união do fluxo e a completa integração da cadeia produtiva


