O mercado instável, a falta de crédito e o ânimo em baixa dos consumidores não estão levando os empresários do ramo imobiliário a ter boas perspectivas para o seu setor nos próximos anos. Uma pesquisa feita pela empresa de serviços de audit, tax e advisory KPMG mostrou que mais da metade vê no mercado instável o seu principal desafio no curto prazo. A disponibilidade de funding (crédito imobiliário) é a segunda maior preocupação dos executivos. Segundo eles, a falta de crédito desacelera os investimentos e retarda a retomada do mercado. A pesquisa foi realizada entre executivos do setor durante um evento da KPMG em São Paulo (SP) em dezembro do ano passado.
Como resultado, apenas 1% dos imobiliaristas afirmou que prevê crescimento acentuado (superior a 15%) no seu volume de atividade em relação a 2015. A maioria acredita em crescimento moderado (34%), em contração significativa (24%) ou em contração moderada (24%).
"Quando falamos de mercado imobiliário, há três fatores importantes: índice de desemprego, capacidade de crédito e taxa de juros. Quando os três fatores são positivos, temos um mercado mais aquecido. Mas no momento, temos crescimento das taxas de juros, aumento do índice de desemprego e restrição de crédito", afirma Ederson Carvalho, sócio da KPMG.
Delegado da 6ª Região do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Paraná (Creci-PR), Claudemar Ferreira da Silva confirma que o maior desafio do setor no momento é driblar a instabilidade econômica. Segundo ele, esse cenário é refletido nos números de locação. "Estamos com aproximadamente 5 mil imóveis residenciais e comerciais fechados para locação. Aumentou muito. A oferta é maior que a demanda. A saída é reduzir o valor dos imóveis para que eles voltem a ser locados."
De acordo com Silva, as construtoras também estão "segurando" os lançamentos porque não estão conseguindo vender unidades ou manter os contratos realizados. O índice de rescisões de contratos de compra de imóveis já alcança os 41% no Brasil e 10% em Londrina. "Isso faz com que as empresas não lancem imóveis, pois mesmo os que já foram lançados não foram concluídos nem vendidos", observa Marco Antônio Bacarin, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Londrina e Região (Sincil).

PERMUTA
E devido às maiores restrições de crédito, os consumidores estão mais em busca de permutas do que de financiamentos, diz Silva. "Antes, 90% de nossas negociações eram financiamentos. Como a redução do crédito está dificultando as vendas, os consumidores estão realizando compras através de permutas e de recursos próprios." Conforme o delegado do Creci-PR, os financiamentos de imóveis novos caíram de 90% do valor para 80%, e de usados de 80% para 50%.
A falta de crédito traz impacto a todos os segmentos de imóveis, comenta Bacarin. "O que está dificultando a tomada de crédito são os juros muito altos. Se o consumidor vai financiar um imóvel popular, vai pagar 7% a 8% de juros. Um imóvel de classe média tem juros de, em média, 15%. Não há nenhum setor da economia que possa acompanhar taxas de juros tão altas."
Para Bacarin, o atual cenário do setor imobiliário tem dois motivos: a falta de crédito e o alto índice de desemprego. "O que alavancou o setor imobiliário nos últimos anos foi o crédito abundante. Mas mesmo que hoje voltássemos a ter um volume maior de crédito, há outras dificuldades como o problema do desemprego, que faz que as pessoas percam a sua capacidade de endividar. E quem está empregado mas com medo de perder o emprego não vai investir."

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