A violência 'escancarada aos quatro ventos' está prejudicando o mercado imobiliário de Londrina pelo menos nos últimos dois anos. Conforme levantamento divulgado pelo 5º Batalhão da Polícia Militar, a cidade registrou 60 homicídios, 980 roubos a estabelecimentos comerciais e 225 roubos a residências entre janeiro e julho de 2006.
A estimativa de Rubens Ferreira, presidente do Conselho de Segurança da Zona Oeste, é que os imóveis daquela região perderam de 20% a 30% do valor em relação a outras áreas da cidade. ''Cerca de 90 bairros são prejudicados pela proximidade com as favelas da Bratac, Vila Rica e rua Pantanal. Oitenta por cento dos moradores certamente mudariam se pudessem'', explicou. Enquanto isso não ocorre, eles confiam a segurança das famílias e pertences a cães de guarda, grades, cercas elétricas, alarmes, correntes e cadeados.
Silvio Marques Ferreira, gerente administrativo da imobiliária Natal, perdeu vários inquilinos e proprietários devido à violência generalizada. ''Os candidatos a locatários, por exemplo, não falam abertamente o motivo da desistência, mas os olhares atentos e as perguntas sutis demonstram sua preocupação com a segurança''. A estimativa do prejuízo é difícil e, para não aumentá-lo, a empresa está mais seletiva na aceitação dos imóveis. ''O problema é complexo, principalmente nas regiões leste e oeste. O aumento do efetivo policial não resolveria tudo, mas, certamente, seria o primeiro passo'', sugere.
Semanalmente, a imobiliária Santamérica aceita as rescisões de vários inquilinos amedrontados com imóveis visados pelos ladrões em diferentes bairros da cidade. Segundo o gerente de locação Rafael Lazarini, os locatários estão mais informados sobre as ocorrências policiais e as leis do inquilinato.
O gestor Sérgio Carlos Barreto, da imobiliária João de Barro, disse que, nos últimos meses, os locatários estão preferindo apartamentos a casas e quanto mais próximos do Centro melhor. Mas, ainda existem aqueles que enfrentam o risco devido à falta de dinheiro para morar num local mais seguro. ''Quando vendemos um imóvel incluimos o entorno, com seus problemas ou benefícios, vantagens e desvantagens. É diferente de comprar um carro que você leva para qualquer lugar'', completou. Atualmente, a maior procura na João de Barro tem sido por casas e apartamentos entre R$ 30 mil e R$ 50 mil, em bairros mais centralizados.

mockup