Informe Secovi
Dia Mundial da Água
Celebramos na semana passada, 22 de março, o Dia Mundial da Água. A data, curiosamente, coincidiu com o período de estiagem que castiga Sudeste e Sul do País há pelo menos três meses. Os reflexos, que normalmente são sentidos em primeira instância, no campo, com prejuízos na safra, já começaram a aparecer nos centros urbanos, em especial em Londrina, onde o desperdício fica evidenciado pelo consumo diário de água. Dados da Sanepar dão conta de que a cidade consome 96 milhões (isto, mesmo, 96 milhões) de litros de água por dia.
Um por dois
Cada londrinense gasta 200 litros de água por dia, em atividades ''de primeira necessidade'' como limpeza de calçadas, lavagem de carros e enchimento de piscinas. A taxa de consumo é 150% maior do que a recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que estima que 80 litros diários sejam suficientes para manter (bem) vivo um cidadão comum. Mesmo este índice é considerado ''luxo'' em regiões como o Nordeste, onde o Ministério da Saúde já comprovou o consumo de, no máximo, dois litros diários por pessoa, nas longas estiagens que castigaram os Estados nordestinos no final da década de 80.
Fontes em situação precária
Em entrevistas recentes concedidas à reportagem da Folha, o gerente metropolitano da Sanepar, Sérgio Bahls, já alertou a cidade sobre a precariedade dos pólos de abastecimento de água da região, como os ribeirões Lindóia e Cambezinho, causados, em grande parte, pelo calor que assola a cidade, além, é claro, do desperdício. Não é raro assistirmos a cenas de zeladores e faxineiros lavando calçadas e faxadas de prédios com pressurizadores de água. Pedestres são obrigados a trocar de calçada devido à incapacidade destas pessoas de soltar o dedo do gatilho da mangueira.
Desperdício em condomínios
O desperdício, muitas vezes, é facilitado em condomínios, onde os custos com o consumo de água são rateados entre todos os moradores. Torneiras gotejantes e canos quebrados, que para um só morador implicariam em custos elevados no consumo de água, são divididos entre todos os condôminos, o que transforma o desperdício em ''balela''.
Tentativas
De acordo com o administrador de condomínios Ricardo Oliveira, Londrina já experimentou alguns recursos para tentar inibir o desperdício em prédios. ''Há cerca de dois ou três anos, tentou-se implantar um sistema em que cada condômino pagava uma taxa de consumo de água proporcional à quantidade de moradores do apartamento'', lembra. O método, no entanto, foi derrubado na Justiça. ''Não havia comprovação real de que um apartamento com cinco pessoas, por exemplo, gastasse mais água do que um com uma só pessoa'', explica Ricardo.
Justiça
Alternativa mais nova e mais justa é a utilização de medidores individuais de consumo de água. De acordo com Oliveira, os condomínios de Londrina começaram recentemente a instalar hidrômetros individuais, há cerca de 10 anos. ''Mas somente há cinco anos a prática se tornou mais comum'', diz. ''Se a medida não evita o desperdício, pelo menos torna o pagamento da taxa condominial mais justo'', acredita ele.
Falta de hábito
Falta agora aos condôminos o hábito de conviverem com o novo sistema. Segundo Oliveira, os hidrômetros individuais também já geraram controvérsia, por causa da taxa de consumo mínimo determinada pela Sanepar. ''Cada apartamento paga por uma espécie de franquia pelo uso de 10 metros cúbicos de água por mês. Mas quem gastava menos água do que isso podia constatar o consumo no próprio hidrômetro e contestava os valor cobrado pelo condomínio. O que as pessoas não estavam entendendo é que, de qualquer forma, ela pagaria pelos 10 metros cúbicos de água. Mas quem consumisse mais do que isso, pagaria pelo valor exato do que consumiu'', explica. ''O serviço é idêntico ao prestado pelas operadoras de telefonia, por exemplo. Só falta ao londrinense se acostumar a ele'', conclui.
Cursos de conscientização
Enquanto os condomínios e administradores esperam pela adaptação do londrinense à nova prática, o Secovi faz a sua parte. De acordo com a coordenadora do Sindicato, Márcia Frare, palestras e cursos são oferecidos periodicamente à zeladores, faxineiros e síndicos, com o objetivo de orientar estas pessoas sobre a necessidade de se economizar água. Uma nova palestra deve acontecer em breve, inclusive com a participação de técnicos da Sanepar. Interesados em obter mais informações sobre os cursos podem ligar para o Secovi, no telefone (43) 3356-2703.
Lição
Exemplo a ser seguido é o da faxineira do condomínio residencial Terra Azul, Joana Darc Silva Rosa, que, por sinal, nunca precisou participar de palestras sobre água para saber da importância do bem. Trabalhando no prédio há dois anos, sempre que possível ela simplesmente varre os locais a serem limpos, revisa tubulações de água para localizar vazamentos e reserva a água já utilizada em pequenas limpezas para a reutilização, na famigerada hora de lavar calçadas. ''Não dizem que a água vai acabar daqui a uns tempos? Então, tem que economizar!'', ensina.
A convocação continua
O Secovi está reforçando o convite a síndicos, imobiliaristas e qualquer outra pessoa interessada no setor a se cadastrarem na lista de e-mails do sindicato. Os cadastrados vão receber, mensalmente, boletins informativos sobre o segmento, via internet. Interessados podem procurar a coordenadora do sindicato pelo telefone ou pelo e-mail londrina(arroba)secovipr.com.br.
Secovi - Sindicato da Habitação e Condomínios
Rua Minas Gerais, 297 - 13º andar - Sl. 133/134 - Londrina - PR
CEP 86010-905
(43) 3356 2703 - londrina(arroba)secovipr.com.br





