Manutenção


Para que um automóvel movimente-se é necessário ajustamento no disco da embreagem, pastilhas de freio novas, velas limpas, lubrificação nos pistões, água suficiente no radiador e combustível no tanque, entre outros itens. Quando alguma peça desse conjunto quebra ou falha, é arriscado o motorista ficar a pé. Assim acontece com os edifícios que descuidam da manutenção elétrica, hidráulica e mecânica de seus componentes. Este é o assunto da coluna desta semana.


Responsabilidade

Segundo Mário Ribas Blanski, gerente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) em Londrina, a manutenção predial é uma questão de bom senso. Embora não exista lei que obrigue o síndico ou administrador a observar os pormenores dessa 'engrenagem', ele pode responder judicialmente caso ocorra algum dano ou acidente. ''A segurança e o bem-estar dos moradores estão diretamente ligados a essa responsabilidade'', resumiu.


Legislação

A Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) é um documento emitido pelo engenheiro ou técnico habilitado a cada instalação ou manutenção executada no edifício. Composta de quatro vias (condomínio, profissional, CREA e órgãos públicos), ela é considerada o currículo do prestador de serviço, a garantia do condomínio e o instrumento de fiscalização do exercício legal da atividade. De acordo com Ronaldo Carlos Martins, engenheiro agrônomo e agente de fiscalização do CREA-Londrina, 98% dos condomínios da cidade estão cadastrados no Conselho, ou seja, foram visitados, pelo menos, uma vez. O lançamento das ARTs no sistema on-line possibilita o rastreamento dos condomínios em débito com a manutenção que são identificados também pelos fiscais de rua. ''Nosso objetivo é regularizar as empresas junto ao CREA, evitar a ação de leigos e, consequentemente, a desproteção dos condomínios que, neste caso, não sofrem punição alguma. Esses leigos, por sua vez, são multados pelo Conselho que pode denunciá-los ao Ministério Público'', explicou.


Garantia

A manutenção predial requer o perfeito funcionamento, por exemplo, de elevadores, pára-raios, central de gás, extintores, mangueiras de incêndio, iluminação de emergência, alarmes, cercas elétricas e bomba hidráulica. Na opinião de Martins, a central de gás é a mais esquecida pelos síndicos e administradores. A checagem do manômetro e das tubulações ligadas aos botijões deve ser feita por um engenheiro ou técnico habilitado que, equivocadamente, são substituídos por funcionários de distribuidoras de gás. ''Elas oferecem o serviço como uma cortesia e, muitas vezes, a falta de informação do administrador do condomínio dificulta nosso trabalho. É preciso deixar claro que algumas distribuidoras possui um profissional habilitado que fornece a ART pelo serviço, mas é a minoria'', disse Martins.


Prioridades


Para Dolores Martins, síndica do edifício Adma Caram há quase oito anos, a prioridade é o elevador que serve 63 apartamentos em 21 andares. Embora a manutenção e as peças sejam caras, os moradores não reclamam porque valorizam mais a segurança. ''Tanto é que vamos reformar a portaria, melhorar o sistema de alarmes e instalar câmeras'', adiantou Dolores que abriu uma caderneta de poupança para esses gastos. O Adma Caram e o Jamile Caram foram construídos um ao lado do outro, há cerca de 35 anos, no centro de Londrina. Naquela época, não havia gás encanado e até hoje os moradores desses grandes condomínios utilizam botijões de gás em seus apartamentos por falta de espaço. Assim como Dolores, o síndico do prédio vizinho, Adelmo Pavesi, não mantém um botijão de reserva para evitar acidentes. ''Isso não é lei aqui. Por isso, não tenho idéia de quantos moradores possuem dois botijões'', afirmou Pavesi, que acumula 12 anos de experiência como síndico. Para ele, o maior obstáculo à manutenção é a inadimplência. Na sua opinião, ela não pode passar de 10% do total. ''Estou preocupado porque estamos perto desse índice'', confessou o síndico, que planeja reformar os elevadores em breve.


Dificuldades


A responsabilidade, o trabalho e a cobrança inerente à função de síndico desestimularam a comerciante aposentada Purificação Zanatta e o vendedor autônomo Romualdo de Oliveira a algum dia sonhar com o cargo. Purificação integra o Conselho do condomínio Centro Comercial e sempre participa das assembléias. ''Acredito que os itens mais importantes para o bom funcionamento de um prédio são os elevadores e a limpeza. Nosso síndico é confiável e, por isso, estou tranquila quanto à manutenção''. Na opinião de Oliveira, esta aposentada é uma exceção entre os condôminos. ''A maioria não participa das decisões, não sugere nada e só reclama. Isso é ruim para todos e, principalmente, para o administrador do prédio. Somente quando um problema acontece é que as pessoas demonstram interesse pela manutenção'', disse o vendedor, ao admitir que fez parte desse grupo durante 15 anos que morou em edifícios. Há cinco anos, ele mudou-se para uma casa.


Curso de funcionários


O Secovi-Londrina está com inscrições abertas para o curso de funcionários em condomínios. O programa de 15 horas/aula inclui noções de segurança, primeiros-socorros, combate a incêndio, fornecimento de água, energia elétrica, serviços gerais, entre outros. O curso durará uma semana, das 19h às 22h, com início e local ainda indefinidos. Mais informações e inscrições pelo telefone: (43) 3356-2703.


Secovi Sindicato da Habitação e Condomínios
Rua Minas Gerais, 297 13º andar sala 133/134 Londrina/PR
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Telefone: (43) 3356-2703
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