Segurança



A segurança é um assunto que rende teses, discussões, leis, reportagens e até bate-papos devido sua amplitude e importância para nossa qualidade de vida. Num condomínio seja residencial ou comercial ela começa nos portões e termina nos pára-raios. O assunto que abordaremos esta semana é a manutenção das mangueiras de incêndio.


Precaução


Elas pertencem ao sistema fixo de combate a incêndios e os extintores ao sistema móvel. O bom senso e a lei pregam que estes e outros equipamentos de proteção devem ser conservados e testados regularmente. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) regula essa manutenção através de informações sobre capacitação profissional, material, procedimentos, prazos, certificados, entre outros itens, que devem ser oferecidos ao cliente. A fiscalização sobre a fabricação e a recarga de extintores é feita pelo Ipem/Inmetro que pode autuar a empresa que descumprir a legislação vigente. Mas, no caso das mangueiras de incêndio, não existe um órgão incumbido desta tarefa. O síndico é obrigado a confiar na palavra do prestador de serviço e, no máximo, exigir o acompanhamento do trabalho. É isso que faz Vera Maria Paes Goulart para garantir a eficácia do investimento. Ela administra um condomínio residencial, no centro de Londrina, há cinco anos. No começo de sua gestão, ela trocou todas as mangueiras de incêndio porque estavam inutilizáveis. ''A idade e a falta de conservação provocaram várias rachaduras'', explicou a síndica que procura unir preço e referência quando compra algo para o condomínio.


Manutenção

Segundo o tenente Jair Antonio de Souza, do Corpo de Bombeiros, as mangueiras medem 15, 20 e 30 metros de comprimento, são feitas de borracha e cobertas por nylon. O teste hidrostático é o único modo de checar seu funcionamento. A intensa pressurização de água injetada na mangueira colocará à prova seu desempenho e resistência. É inacreditável, mas apenas uma empresa realiza legalmente este serviço em Londrina, segundo o próprio Secovi-PR. Mesmo assim, o proprietário Marcel Vinícius de Almeida afirma que dos 1,2 mil condomínios residenciais e comerciais existentes na cidade, somente 200 fazem parte da sua lista de clientes. O restante, com certeza, não prioriza a manutenção do equipamento ou utiliza a mão-de-obra de clandestinos. A inexistência de um órgão fiscalizador da fabricação e do teste hidrostático contribui para a ação de golpistas que levam as mangueiras à pretexto de realizar o serviço e desaparecem. ''Eles vendem o metal caro que compõem o esguicho e o bocal e prejudicam a imagem das empresas idôneas e sérias'', comenta Almeida. Há alguns anos, uma quadrilha dessas agiu em Londrina, mas a Polícia Civil não possui registro de ocorrências da época.


Avaliação


Antes de oferecer o teste hidrostático, Almeida realizava a recarga de extintores. Segundo ele, a procura pela manutenção de mangueiras de incêndio e a quantidade de picaretas era tamanha que decidiu oferecer os dois serviços. Almeida qualificou-se em São Paulo, investiu em equipamentos modernos e hoje segue à risca os preceitos da ABNT. ''Faço questão do síndico ou responsável acompanhar o teste, empresto outras para o prédio não ficar desassistido, deixo as mangueiras secando na vertical e na sombra durante três dia, entrego cada peça com um selo identificador das características, com datas e prazos de validade'', explicou o empresário. Além de realizar o teste hidrostático, Almeida também vende mangueiras novas. Uma unidade com uma polegada e meia e 15 metros de comprimento custa R$ 140,00 e com 20 metros R$ 160,00. O teste custa R$ 20,00 por mangueira e, segundo ele, deve ser refeito a cada ano. ''O equipamento de boa qualidade e bem conservado pode durar até 15 anos'', comentou.



Fiscalização


Com base na NBR 11861, da ABNT, o Ipem/Inmetro está autorizado a fiscalizar e autuar os condomínios que não apresentarem extintores de incêndio em bom funcionamento. As mangueiras de incêndio, por sua vez, dependem unicamente do interesse de síndicos e da sorte de caírem nas mãos de bons profissionais. ''O mesmo acontece com as mamadeiras e as chupetas comercializadas livremente em supermercados e farmácias. Devemos conferir as qualificações das mamadeiras e ignorar as chupetas porque ainda não existe norma para isso'', explicou Jair Cequini, técnico do Ipem/Inmetro em Londrina.



Legislação

Um prédio residencial a partir de 1,5 mil metros quadrados de área construída precisa do aval do Corpo de Bombeiros para conseguir o habite-se da prefeitura. Na prática, isso siginifica que o projeto deve apontar quantos extintores e mangueiras de incêndio a unidade oferecerá, quais suas características, onde esses equipamentos serão instalados, qual a infra-estrutura disponível, os locais para iluminação de emergência, qual o piso das escadas entre outros. ''O reservatório de água, por exemplo, nunca poderá ficar abaixo de um terço de sua capacidade porque pode ocorrer algum acidente'', disse o tenente.


Em tempo


Aos amigos e colegas do contabilista Ismail Pereira Barbosa, citado na última edição desta coluna, confessamos um equívoco. Ao contrário do que publicamos, Barbosa trabalha há 23 anos no ramo de contabilidade para condomínios em Londrina e começou a vida profissional, sim, como arquivista da Caixa Econômica Federal.

Secovi -Sindicato da Habitação e Condomínios
Rua Minas Gerais, 297 - 13º andar - sl. 133/134, Londrina - PR
Cep 86010-905
(043) 3356-2703 - [email protected]

mockup