INFORME SECOVI - PR
José Augusto Fernandes é consultor de seguros, casado há sete anos. Como toda família recém-constituída, o sonho da mulher e filho único de Fernandes era comprar uma casa própria. ''Os valores sempre me assustaram. Nunca imaginei que pudesse juntar R$ 50 mil, R$ 60 mil para comprar minha casa'', lembra. Quando ainda não imaginava que poderia comprar uma casa, Fernandes tinha esquecido que morava em Londrina, cidade com um dos mercados imobiliários mais movimentados do País.
Crescimento constante
Graças ao contexto no qual Londrina se insere - o de crescimento constante no setor de construção civil e grande movimentação no ramo de imóveis - Fernandes pôde aproveitar uma das várias opções de financiamento disponíveis no mercado, a juros baixos e com grande volume de susídios por parte do governo. Comprou a casa e levou a mulher e filho para a Zona Sul. ''Pago um valor que está dentro do meu orçamento e agora tenho a minha casa'', comemora.
2004/2005
O exemplo de Fernandes serve para ilustrar como o setor imobiliário cresceu nos primeiros seis meses deste ano, principalmente quando comparamos os números de 2005 com os do ano passado. ''O aquecimento da indústria da construção civil, aliada à medidas definidas pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia por tempo de Serviço (FGTS), colaboraram muito para o reaquecimento do mercado imobiliário, especialmente em nossa cidade'', diz o superintendente de negócios da Caixa Econômica Federal, Roberto Luiz Bachmann.
Financiamentos para o setor
Quando fala de crescimento do setor, Roberto se embasa em números expostos pela própria Caixa, um dos bancos com o maior número de financiamentos para compra de imóveis e para a construção civil no País. Segundo ele, nos primeiros seis meses deste ano, na região de Londrina, a Caixa já negociou R$ 22 milhões em financiamentos para as mais variadas faixas de renda. No mesmo período do ano passado, este valor havia alcançado ''somente'' R$ 16 milhões. Cerca de 1,4 mil pessoas fecharam negócios com o banco. ''Como o primeiro semestre tradicionalmente responde por 40% dos negócios do ano, a expectativa é por melhora ainda melhor até o final de 2005'', explica.
Faixas de atuação
E quem pensa que financiamento é negócio para gente graúda está enganado. Ainda de acordo com Roberto, a média de financiamentos liberados pela Caixa para aquisição de imóveis é de R$ 10 mil, o que aponta para o atendimento de famílias de renda baixa e média. ''Esta participação também aumentou graças a uma resolução regulamentada recentemente pelo Conselho Curador do FGTS, que aumentou os subsídios para famílias com renda de até R$ 1,5 mil. Isso ampliou muito as possibilidades para financiamento e como consequência, aquece o setor'', teoriza.
Políticas
Redução dos juros de financiamentos também é uma política comum entre os bancos. Com dinheiro mais barato, vale a lei de oferta e procura. Voltando ao caso da Caixa, Roberto explica que o uso de recursos do próprio banco permitiram a redução das taxas também para famílias de classe média e alta, grandes responsáveis, por exemplo, pelo crescimento no setor de construção civil na Zona Sul de Londrina. ''Mas é bom que se frise: reduzimos as taxas para as classes média e alta, mas a classe baixa é a grande favorecida: trabalha com o dinheiro mais barato do mercado, graças aos fundos como FGTS e FAT'', detalha.
Construção
Mas o mercado não vive só da compra e venda de imóveis, como a própria Zona Sul de Londrina nos mostra a todo o tempo. O setor de construção civil também ganhou embalo em 2005, tanto com o desenvolvimento de tecnologias para o barateamento de obras quanto com novos produtos, também oferecidos por bancos. Hoje, também já é possível financiar a compra de material de construção, opção que responde por 48% do total de financiamentos realizados pela Caixa este ano. Os valores somam em média R$ 5 mil e impulsionam o mercado, não são gerando movimentação, como também empregos e renda.
Novas opções
É este tipo de linha de crédito que ajudou o porteiro José Aparecido Sobrinho a reformar a própria casa. Com um salário que ele considera baixo, as perspectivas de ampliar a casa, uma unidade da Cohab instalada na Zona Norte de Londrina, eram poucas. ''Fechei um financiamento e a ampliação saiu. E fiquei contente porque ofereci emprego para um amigo, que estava precisando'', conta.
Opinião
Para o Sindicato das Indústrias de Construção Civil do Norte do Estado (Sinduscon-PR), é difícil estimar estre crescimento, em especial o da oferta de empregos, já que a informalidade responde por mais de 50% do setor. No entanto, o presidente do Sinduscon, Junker de Assis Grassiotto, admite que o crescimento, pode, sim, estar acontecendo. ''Estamos organizando um seminário sobre o tema e aí poderemos avaliar de forma correta'', afirma.
Rápido!
Atenção para o curso de ''Prerrogativas do Síndico no Código Civil Brasileiro'', que acontece nesta terça-feira, com promoção do Secovi-PR. Nas palestras, que integram o Programa de Qualidade Condominial desenvolvido pelo sindicato, dúvidas sobre a legislação que rege o funcionamento dos condomínios no País poderão ser esclarecidas com a advogada Adiloar Franco Zemuner, que também é consultora jurídica do Secovi-PR e professora da Universidade Estadual de Londrina (Uel). As vagas são limitadas e os interessados podem procurar o Secovi para mais informações.
Secovi - Sindicato da Habitação e Condomínios
Rua Minas Gerais, 297 - 13º andar - Sl. 133/134 - Londrina - PR
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