Voltando ao assunto
Alguns crimes ocorridos em Londrina nas últimas duas semanas chamaram a atenção dos moradores de condomínios para um aspecto até então pouco considerado em localidades consideradas tranquilas, como a nossa cidade. Acostumados a saber de assaltos ousados a prédios somente em grandes metrópoles, como São Paulo ou Rio de Janeiro, o londrinense percebeu, na pele, que não está tão longe da violência assim. O último exemplo é o do assalto a um apartamento do condomínio do Centro Comercial (na Área Central da cidade), quando o morador perdeu uma grande quantia em dinheiro e a doméstica foi agredida. A violência em grande escala de ousadia finalmente chegou à Londrina.

Lição
Salvo os prejuízos físicos e financeiros causados pela ação, o assalto serviu, pelo menos, para alertar os moradores de condôminos de que morar em um apartamento não é garantia de segurança, um conceito comumente difundido até o final da década passada. Sem a colaboração de todos os moradores e o apoio da Polícia Militar, não há prédio, portão ou porteiro que garanta privacidade e tranquilidade.

Quem está sujeito
Mesmo as regiões tradicionalmente mais tranquilas de Londrina estão sujeitas a assaltos, geralmente de pequenas proporções. No período em que ainda era um simples morador de um condomínio no Centro da cidade, o funcionário público Luis Gustavo da Silva Gimenes viveu uma situação, no mínimo, inesperada. Semanas depois de ter a bicicleta roubada do cabide localizado na garagem, um amigo de Gustavo surpreendeu dois ladrões de toca-CDs dentro do carro, que estava também no pátio do prédio. Num ato impensado, o amigo de Gustavo correu ao encontro dos ladrões, que conseguiram fugir pelo portão da frente, deixado aberto momentos antes pelos próprios bandidos. O saldo foi o roubo do som e de uma jaqueta jeans que estava dentro do carro.

O básico
Pegar o bandido, neste caso, poderia gerar até mais dores de cabeça para o amigo de Gustavo. Como já afirmou várias vezes em reportagens publicadas pela Folha de Londrina, o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Jurandir André, lembra que a defesa é um direito garantido constitucionalmente. ''No entanto, a minha recomendação é para que o cidadão não faça uso desse direito. Nunca se pode prever como o bandido vai reagir a uma agressão, pois ele pode estar armado'', explica.

Recomendações úteis
Depois do assalto, Gustavo resolveu recomendar ao então síndico do prédio o reforço do portão, a instalação de um holofote para iluminar a entrada e a colocação de cacos de vidro na parte do muro que poderia dar acesso ao pátio de carros. ''O portão era muito frágil e podia ser aberto com um pouco de força. Depois que as medidas foram tomadas, nunca mais tivemos problemas com segurança aqui'', garante.

Atenção
Hoje Gustavo é síndico do condomínio onde mora. O cargo permitiu a ele tomar mais algumas medidas que ele considera essenciais para garantir a segurança no condomínio. ''Nosso prédio fica em frente de uma faculdade, onde a movimentação e o número de carros entre as 18 e 23 horas é muito grande. Isso atrai a atenção de bandidos e portanto decidi mudar o horário do nosso porteiro, que antes ficava no prédio durante a madrugada. Agora ele trabalha entre 18 e zero hora'', explicou.

Colaboração
A atitute do síndico mostra que um pouco de atenção ao que acontece à própria volta já é o suficiente para que a segurança em condomínios possa ser aprimorada. ''As pessoas têm uma impressão errada de que a madrugada era o horário mais perigoso na nossa região, mas era fácil perceber que isso não era verdade'', explica Gustavo. No entanto, a colaboração de moradores é essencial para o bom funcionamento de qualquer atitude tomada pelo síndico. ''Não iria adiantar nada reforçar o portão se os moradores o deixassem aberto. Então, quando promovi as mudanças, conversei com todos e os orientei sobre como deveria ser o comportamento daqui para a frente. Já cheguei a discutir com um estudante porque ele me pediu para que eu deixasse o portão aberto para ele'', conta Gustavo.

Outras dicas
As orientações que Gustavo passou aos moradores vai de encontro com o que sugere o consultor de segurança Douglas Delapria, autor de um livro sobre o assunto. Segundo ele, o portão de entrada nunca deve ser aberto para estranhos não convidados e que não tenham identificação. Orientar o porteiro a não deixar ninguém subir aos apartamentos sem aviso prévio também é uma boa dica. E não adianta só uma pessoa saber destas dicas: elas devem ser passadas e incentivadas para todos.

Dúvidas sobre o Código Civil?
No próximo dia 28, síndicos com dúvidas sobre o próprio papel nos cargos e sobre legislação civil - conjunto que rege a atuação e funcionamento de condomínios no País - terão uma boa oportunidade para buscar esclarecimentos. O Secovi-PR vai promover o curso sobre as ''Prerrogativas do Síndico no Código Civil Brasileiro''. Nas palestras, que integram o Programa de Qualidade Condominial desenvolvido pelo sindicato, as dúvidas poderão ser esclarecidas com a advogada Adiloar Franco Zemuner, que também é consultora jurídica do Secovi-PR e professora da Universidade Estadual de Londrina (Uel). As vagas são limitadas e os interessados podem procurar o Secovi para mais informações.

Secovi - Sindicato da Habitação e Condomínios, Rua Minas Gerais, 297 - 13º andar - Sl. 133/134 - Londrina - PR, CEP 86010-905, (43) 3356 2703 - [email protected]

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