INFORME SECIOVI - PR
Humanidade e convivência
Na semana passada, a Coluna do Secovi adiantou que o assunto a ser tratado neste domingo seria a quantidade de boas e más situações já vividas por condôminos em Londrina. Uma coleção de exemplos a serem seguidos por pessoas bem educadas, aptas à convivência em condomínios, dignas de serem citadas em um livro de boas maneiras. Em compensação, situações constrangedoras, difíceis e - por que não? - até mesmo cômicas, vividas graças à falta de educação e bons modos no relacionamento comum entre pessoas.
O primeiro exemplo
O estudante Fernando Pinheiro, por exemplo, é ex-morador do Condomínio Edifício Renoir, no Centro da cidade, e coleciona várias histórias de bons e maus momentos vividos por ele e pelos amigos com os quais morou em uma república por quase um ano. Segundo o estudante, o condomínio onde morava contava com 24 apartamentos. ''A maioria deles, ocupados por repúblicas'', lembra. ''Era uma convivência tranquila, porque todos eram da mesma idade, faziam as mesmas coisas e se davam muito bem'', conta.
Lado bom
A avaliação de Pinheiro é de que concentrar um grande número de jovens em um mesmo condomínio é positivo quando o assunto é relacionamento amigável. ''Todos eram amigos. Vivíamos fazendo churrascos em conjunto e conversávamos muito sempre que nos encontrávamos no elevador ou nas áreas comuns, por exemplo. Não tinha aquela história de só falar sobre o clima quando tínhamos que cruzar com outros condôminos'', brinca. Desavenças ou negociações para o aluguel de vagas de garagens também sempre foram resolvidas com boa conversa. ''Mesmo a nossa república, que era conhecida por promover grandes bagunças, nunca foi multada pela síndica (na ocasião, a aposentada Daisy Mazetto). Tínhamos uma amizade e um carinho muito grande por ela'', recorda.
Lado mau
Os aspectos negativos, segundo o estudante, apareciam na hora em que o silêncio fazia-se necessário. ''Nem sempre a conversa resolvia quando pedíamos para um vizinho abaixar o som. Às vezes, um de nossos amigos tinha que estudar e sofria com festas e conversas promovidas nos apartamentos vizinhos até altas horas da madrugada. Acordar para uma prova no dia seguinte, por exemplo, era um sacrifício'', reclama.
Infelicidade
A síndica citada por Pinheiro foi procurada pela reportagem da Folha, mas não foi localizada. No entanto, sempre que foi citada por Pinheiro durante a entrevista, Daisy Mazetto era lembrada como uma pessoa aberta ao diálogo e disposta a resolver os problemas de forma amigável, invariavelmente. ''Entendemos que era difícil para ela manter a ordem num prédio onde deveriam morar uns 100 estudantes. Ela tinha uma certa idade e merecia ser respeitada. Ficamos bravos quando o pessoal de uma outra república jogou uma vassoura pela janela. Foi muita falta de respeito. Ela comentou conosco, uma vez, que ficou com medo de reclamar com os garotos porque temia ser agredida. Um absurdo'', conta.
O outro lado
Tempos depois, a república foi desfeita e alguns dos estudantes se mudaram para um outro prédio, também no centro da cidade. Um deles, que preferiu não se identificar, descreve como é a convivência no outro prédio. ''O silêncio é absoluto e convivemos com muita tranquilidade. Acho que isso acontece porque a maioria dos apartamentos é ocupado por famílias, gente mais velha. Em compensação, a conversa é quase zero'', reclama. ''Não há relacionamento entre os condôminos e o síndico nos enviou uma notificação por escrito na primeira vez que ficamos conversando até tarde da noite. Sabíamos que tínhamos feito algo errado e concordamos com a observação, mas o que nos deixou irritado foi o fato de que ele nem sequer sabia quem éramos nós'', conta o estudante.
Falta conversa mesmo
De acordo com o estudante, ele morava com mais três jovens em no apartamento e todos tinham carros. No entanto, oficialmente o condomínio oferecia somente uma vaga de garagem. ''Havia espaço suficiente para guardarmos três carros no pátio sem atrapalhar ninguém e, por um certo período, decidimos ocupar este espaço enquanto encontrávamos um estacionamento com preço acessível. Mas um dia, eu cheguei em casa e vi que alguém havia colocado vasos no lugar onde eu pretendia por o meu carro. Fiquei muito irritado, era uma atitude totalmente desnecessária. Se eu não poderia colocar o carro ali, era só me falarem'', lembra o estudante, com muita irritação.
Ingerência
Tempos depois, o estudante descobriu que um dos moradores é quem tinha colocado os vasos no espaço em frente à vaga do carro. ''Isso foi a gota d'água. Eu não poderia colocar meu carro no espaço, mas um morador que se sentiu lesado poderia ocupar o espaço com vasos? Cadê o síndico nestas horas? Ele nos notificou quando ficamos conversando até tarde, mas não fez nada com o morador que mudou os vasos de lugar'', afirma.
O que deveria ser feito
Os exemplos citados acima são somente parte do que a cidade de Londrina assiste todos os dias. São problemas comuns, sem nenhuma implicação legal ou judicial, mas que atrapalham, quando não inviabilizam, a convivência entre condôminos. E justamente a falta de caracterizações legais para estes problemas é que aponta a solução: respeito e conversa resolvem qualquer coisa.
Um serve de exemplo para o outro
Ao mesmo tempo em que os casos descritos mostram a falta de respeito entre condôminos tanto em prédios tomados por pessoas jovens quanto em condomínios ocupados por famílias, eles servem como parâmetro para qualquer pessoa que admite a possibilidade de conviver com um vizinho tão próximo: jovens dão o exemplo de como se relacionar, enquanto famílias e pessoas mais velhas ensinam como respeitar os limites do próximo. Nenhum segredo.
Como proceder
Se em situações limite de convivência ruim em condomínios as pessoas não souberem como proceder, o Secovi-PR está a disposição para o esclarecimento de dúvidas. Os contatos podem ser feitos pelo e-mail londrina(arroba)secovipr.com.br, ou pelo telefone (43) 3356 2703.
Secovi - Sindicato da Habitação e Condomínios
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