Informe Mercado & Construção (Ligia Barroso)
Informe Mercado & Construção
Ligia Barroso
Habitação, primeiros rounds
O canteiro para produção de obras, criado pelos integrantes do Movimento Nacional em Defesa da Habitação e do Emprego, parece já servir de laje sólida para o piso das negociações entre o governo e o setor da construção civil brasileira.
Na arena do SFH, os primeiros rounds pontuados, e tudo durante esta semana. Na segunda-feira, o governo divulgou que estuda como beneficiar os mutuários que ainda não foram atendidos pelos programas de redução do saldo devedor. Entre os desafios da comissão governamental que estuda o assunto, dar solução financeira aos contratos sem cobertura do FCVS - saldo devedor, e de responsabilidade do mutuário, que ultrapassa o preço de mercado do imóvel.
Na terça, o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, declarou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá financiar investimentos na indústria da construção civil. Função da Caixa, a norma poderá ser mudada em razão do elevado potencial do setor em gerar (muitos) novos empregos com pouco investimento - R$ 13 mil, enquanto para a indústria automobilística, por exemplo, cada nova vaga exige investimentos de R$ 100 mil.
Na quinta, a publicação de mais medidas que poderão sair como provisórias da prancheta da comissão governanental e permanecer como solução para o mercado imobiliário: encontrar novas fontes de recursos para novos financiamentos e garantir o direito dos contratos de gaveta.
Propostas de solução não faltam. Há quase dois anos, entidades ligadas ao construbusiness encaminham projetos demonstrando, em números reais, alternativas para as dificuldades enfrentadas pelo setor da produção habitacional no País. E, ao que parece ser, os calhamaços estão sendo manuseados, e agora, por mãos que podem rubricar as soluções.
Aço, saldo positivo na balança
Saldo positivo no balanço anual da Belgo-Mineira e da Gerdau. O mercado do aço encerrou 1999 com acentuado crescimento, e as previsões otimistas para 2000 têm alicerce fundamentado na manutenção da desvalorização cambial brasileira - possibilidade de continuar incrementando o volume de exportações e, consequentemente, aumentar os investimentos em tecnologias que ampliem a capacidade de produção.
Na Belgo-Mineira, as exportações de aços longos - barras, fio máquina, vergalhões etc - devem crescer 20% neste ano, passando de 460 mil toneladas para 550 mil. O aumento virá, em parte, do novo laminador de barras da usina de Piracicaba, São Paulo, inaugurado há dez dias. O equipamento ampliará em 44% a capacidade de produção de vergalhões - de 346 mil para 500 mil toneladas por ano. A capacidade total de produção deve ser atingida no segundo semestre de 2001, mas neste ano deve ficar em torno de 420 mil toneladas/ano.
O principal diferencial do laminador em relação aos demais existentes no mercado brasileiro: produção realizada em leito e com temperatura controlada, garantindo produtos sem deformidades e de melhor qualidade. Além do investimento no novo equipamento - R$ 65 milhões - a Belgo-Mineira destinou, no ano passado, outros R$ 23 milhões à modernização tecnológica das instalações industriais e em obras para preservação ambiental.
Outra empresa do setor com motivos para comemorar é a Gerdau, que obteve um crescimento de 75% do lucro consolidado em 1999. Responsáveis pela elevação dos números: a aquisição da norte-americana AmeriSteel e o aumento de 17% para 36% na participação na Açominas. No ano passado, o conglomerado que inclui dez usinas siderúrgicas no Brasil e sete no exterior, também alcançou resultado positivo - R$ 360 milhões contra R$ 208 milhões em 1998.
As exportações brasileiras da Gerdau também cresceram 63% em volume, totalizando 402 mil toneladas. Porém, as receitas recuaram de US$ 91,4 milhões para US$ 81,3 milhões, em decorrência da retração dos preços do aço plano e longo, no mercado internacional. Em 2000, a empresa deve manter as exportações em torno de 10% a 15% da produção.
Total em investimentos previstos para os próximos 4 anos: US$ 1,2 bilhões. Neste ano, cerca de US$ 100 milhões serão aplicados em projetos de modernização das unidades já instaladas; outros 50, para o novo laminador de aços especiais e um novo sistema de despoeiramento na Aços Finos Piratini (Rio Grande do Sul); mais 80, com o laminador de barras e perfis médios para a Cosigua (Rio de Janeiro); e cerca de US$ 135 milhões destinados ao programa de modernização (equipamentos) da Açominas.
Autodesk, nova versão para solos
O novo pacote de ferramentas de criação de conteúdo digital - Land Development Solutions - traz valor adicionado para os usuáários de CAD. A Autodesk, principal fornecedora de programas para desenho e projeto em PCs e uma das maiores companhias de software do mundo, lançou no Brasil novos produtos para desenvolvimento de aplicações em engenharia de uso do solo, específicos às necessidades de topógrafos, urbanistas, engenheiros civis, arquitetos e agrimensores, além de profissionais de geoprocessamento (GIS): o AutoCAD Land Development Desktop, o Autodesk Civil Design e o Autodesk Survey.
O R2 é a versão do AutoCAD 2000 otimizado para profissionais de uso e ocupação do solo, que também inclui as funcionalidades do AutoCAD Map 2000. O software proporciona os principais recursos necessários as áreas de planejamento, engenharia civil e arquitetura em projetos de mapeamento, engenharia de transportes, levantamento topográfico e projetos de ocupação de solo, entre outros.
Entre as inovações do produto estão múltiplos layouts, utilização de comandos ActiveX para customização e desenvolvimento, manipulação de objetos, como pontos e curvas de nível, acesso e compartilhamento de informações em bancos de dados, proporcionando um ambiente unificado de projetos.
O Autodesk Survey R2 tem recursos avançados de pesquisa e filtros na entrada de informações. O software permite que profissionais de agrimensura, GIS e engenharia civil resgatem dados de levantamentos topográficos, através da comunicação do software com instrumentos de medição e coleta de dados.
E o Autodesk Civil Design é uma solução otimizada para engenharia civil que trabalha em conjunto com o Land Development Desktop. O software permite a criação de projetos que vão da implantação de uma simples residência até desenhos complexos como platôs, vias de acesso ou grandes rodovias.
Mais informações sobre os novos produtos estão disponíveis na Internet: www.autodesk.com/land.
Encontros marcados
-11ª SMOPYC - A Feira Internacional de Maquinaria de Obras Públicas, Construção e Mineração, será realizada entre 16 e 20 de fevereiro, em Zaragoza, na Espanha. O evento faz parte da agenda internacional da Fiabc/Brasil. Mais informações pelo telefone (11) 288 3867.
-MIPIM 2000 - As tendências do mercado imobiliário mundial para os novos século e milênio serão apresentadas em Cannes, França, entre os dias 8 e 11 de março. Inscrições na Fiabc/Brasil ou direto com a organização através do telefone (ligação internacional) 33 1 4190 4543.
-Negócios Imobiliários - O curso de pós-graduação em negócios imobiliários, promovido pelo Secovi-SP e realizado pela FAAP, começa em 24 de março, com aulas às segundas, terças e quarta-feira, à noite, e é dirigido a imobiliaristas e corretores. Informações no Secovi-SP (11) 285-0122, ramal 130, e na FAAP (11) 3662-1662, ramais 1121 e 1131.
Informações e sugestões para Informe Mercado & Construção via e-mail: [email protected]





