INFORME MERCADO & CONSTRUÇÃO
Aumento de preços nos insumos, manutenção do emprego e a redução de cargas, são, de imediato, as três maiores preocupações do setor construtor em relação ao programa de racionamento de energia. E as primeiras articulações para minimizar os impactos vem das entidades paulistas Sinduscon-SP, Secovi, Sintracon, CBIC e Fiesp.
A diretoria do SindusCon-SP definiu que a entidade passará a exercer vigilância cerrada sobre os preços dos insumos da construção como cimento, vergalhões de aço, vidro e alumínio. Não aceitaremos que o fantasma do apagão dê margem a aumentos de preços oportunistas, enfatiza o presidente Artur Quarema Filho.
Em conjunto com os trabalhadores, o sindicato também vai levar ao ministro Pedro Parente a situação das construtoras que já assinaram contratos para empreendimentos não-residenciais e até obtiveram financiamentos, ou as que estão com as obras iniciadas e não têm contrato definitivo de fornecimento de energia. Junto às concessionárias paulistas, o SindusCon-SP vai procurar esclarecer se haverá fornecimento para o início de obras de empreendimentos residenciais e estabelecer canais de interlocução estima-se que na construção de um edifício são utilizados apenas 5% do consumo de energia que ele terá depois de ocupado.
Um guia com orientações às construtoras sobre como proceder durante o período de racionamento também já está sendo elaborado, e já em funcionamento, o informativo ConstruEnergia-Boletim da Crise, que atenderá as associadas através do e-mail: [email protected].
No Secovi e Fiesp, uma força-tarefa também foi criada para tratar do racionamento na região Sudeste. A redução de carga programada pela Câmara é uma medida confusa, segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis de São Paulo, Romeu Chap Chap. Ele acredita que o texto da medida que diz suspender: o atendimento a novas cargas, exceto aquelas já contratadas até a data de publicação desta resolução e as ligações residenciais e rurais não especifica ao certo se é direcionada aos canteiros de obras ou a empreendimentos concluídos, que ainda necessitam de instalações definitivas. Chap Chap disse que só após esse entendimento o setor poderá começar a pensar em possíveis prejuízos.
Em nota divulgada à imprensa, Chap Chap chama atenção para estudo da empresa Rosemberg & Associados que previa queda no PIB da construção civil de cerca de 3%, caso houvesse um corte de 15% no fornecimento de energia durante todo o segundo semestre. Como as medidas anunciadas determinam redução de 20% no consumo, as consequências deverão ser ainda maiores. Segundo ele, haverá redução drástica de pessoal ocupado, podendo atingir cerca de 100 mil postos de trabalho no País. A paralisação de obras resultará também em quebra de contratos por atraso ou suspensão de entrega de empreendimentos, com graves consequências legais e morais para o mercado, alerta.
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