Indústrias querem ampliar o mercado
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de setembro de 2000
Ligia Barroso De Londrina 
Criada no primeiro semestre deste ano, a Associação Latino-Americana de Fabricantes de Tubos Cerâmicos nasceu com o intuito de promover o desenvolvimento e o crescimento de um mercado que sofre, há quase duas décadas, com a ascensão vertiginosa do PVC. Para alcançar as metas traçadas pelas 14 indústrias fabricantes, a AcerTubos está trabalhando, primeiro, em ações que resgatem a cultura do uso de tubos cerâmicos entre os mercados com maior potencial de consumo do produto ecologicamente correto Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Para alcançar a credibilidade e manter a confiança depositada no material, foi iniciado um plano para mostrar as vantagens que o tubo cerâmico oferece, incentivando o saneamento no Brasil através da divulgação de trabalhos técnicos e da realização de workshops e palestras em universidades, entidades e órgão públicos, conta Francisco Lepri, presidente da AcerTubos.
O processo começou em 23 de agosto, com a participação de técnicos da entidade no XI Encontro Técnico, realizado anualmente pela Associação dos Engenheiros da Sabesp e destinado a técnicos da empresa, profissionais do setor de saneamento e acadêmicos de Engenharia, Arquitetura, Geologia, Tecnologia e Química, e que este ano teve como tema principal Cidadania e Gestão Pública do Saneamento.
A nova entidade pretende beneficiar a população atuando junto aos órgãos competentes para o desenvolvimento do saneamento básico, ainda carente no Brasil. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, realizada em 1997, somente 49,4% das residências das áreas urbanas do País são atendidas por rede coletora (sistema de tubulações) de dejetos. A pior situação é na região Norte do Brasil onde, segundo a pesquisa, apenas 6,6% das residências têm sistema de esgoto à disposição.
A importância de resgatar a cultura de utilização dos tubos cerâmicos, segundo profissionais do segmento, é necessária justamente porque esse tipo de tubo é forte, resistente e tecnicamente adequado para redes coletora de esgoto. Mais do que isso, é ecologicamente correto a argila, no processo de decomposição, não prejudica o ambiente. De acordo com Lepri, o desejo das indústrias de tubos cerâmicos é crescer tecnologicamente, com resultados financeiros aceitáveis, mas sobre tudo preservando o meio ambiente e contribuindo para um alto padrão de qualidade de vida do consumidor e cidadão.
Com uma produção de 650 mil metros mensais, as empresas fabricantes querem, com isso, também aumentar o faturamento do setor em 4% hoje calculado em R$ 2 milhões/mês. Além do fortalecimento no mercado interno, está em pauta a exportação para países do Mercosul e Oriente Médio. Para alcançar mais esta meta, o setor aponta em outros dois pontos: a economia no preço do produto e a garantia de fábrica de 100 anos.


