Ligia Barroso e
Carolina Avansini
Especial para a Folha
Mercado em franca expansão no Brasil, os parques temáticos agregam às potencialidades da indústria do lazer, um novo filão para o setor da construção civil. Nos próximos cinco anos, devem ser desenvolvidos mais 30 projetos de parques – que vão gerar empregos e atividade imobiliária. E a presença do BNDES nesses empreendimentos demonstra que o governo despertou para esse processo – entre 1990 e o primeiro semestre de 99, o órgão investiu US$ 168,9 milhões no setor.
Atenta às possibilidades do segmento, a Potencial Engenharia, de Londrina, ganhou a licitação para participar da construção do Hopi Hari, o mais novo empreendimento do grupo Playcenter, inaugurado em dezembro passado, em Vinhedo, município localizado a 75 km de São Paulo. A empresa londrinense foi a responsável pela construção de quatro muros de contenção, dois viadutos e quatro passarelas internas, que integram a estrutura de 760 mil metros quadrados do parque. Mais três construtoras – Andrade Gutierrez, GNO e Gutierrez – participaram do processo construtivo.
Para vencer a licitação, a construtora apresentou uma proposta técnico-comercial desenvolvida em cima do projeto apresentado pela administração. ‘‘Como a grande preocupação era o prazo reduzido de entrega, apresentamos, além do preço, uma proposta construtiva que visava agilizar o processo’’, explica Marcelo Camargo Maia, engenheiro responsável pela obra e diretor da Potencial ao lado dos também engenheiros Wagner Soeiro Pagnan e Reinaldo Fernandes Faria.
Para apressar o andamento dos trabalhos, a empresa adotou processos e equipamentos diferenciados. Nas paredes e alas, por exemplo, optaram por formas prontas do tipo trepante, da Gethal – fator que agilizou a concretagem das paredes e ao mesmo tempo propiciou uma canteiro de obras mais limpo, organizado e seguro.
Com relação à armação das lajes, vigas e pilares, Camargo Maia ressalta que os serviços de corte, dobra e montagem do aço eram feitos fora do canteiro. ‘‘Também compramos aço em bobinas, uma alternativa que reduziu em 10% as perdas do material, evitando desperdício’’, diz.
As lajes foram executadas com dois jogos completos de escoramento e cimbramento metálico, que utilizaram torres e vigas metálicas para agilizar a desforma da laje. Após a concretagem, o escoramento só pode ser retirado depois de 14 dias, no mínimo. Esse período é necessário para a realização da cura do concreto. Para a realização de todo o trabalho da Potencial, foram utilizados 82.300 kg de aço, 3.287 m2 de formas e cerca de 1.750 metros cúbicos de concreto.
No geral, o Hopi Hari totaliza 176 mil m2 de área construída, mais um estacionamento de 180 mil m2 com capacidade para 107 ônibus e 5.466 carros. O parque pode receber cerca de 23 mil pessoas –, entre visitantes e funcionários – e oferece 35 atrações, 13 lanchonetes e restaurantes e 15 lojas. A média de visitantes diários deve ficar em torno de 8 mil pessoas, totalizando 2,5 milhões por ano.
O Hopi Hari já foi inaugurado mas a Potencial continua trabalhando em suas dependências, fazendo a manutenção geral do espaço. Com uma filial em Vinhedo, a empresa realizou outras grandes obras na região, como a sede da Indústria Texiglass, a Cordaflex do Brasil e a Magnetti Marelli, entre outras.
Continua na página 2Mais de 30 projetos de parques temáticos deverão ser executados no Brasil nos próximos cinco anos, gerando empregos e atividade imobiliária
Arquivo FolhaHopi Hari: 176 mil m2 de área construída e obras executadas por quatro construtorasDivulgaçãoEmpresa londrinense responsável pela construção de viadutos e passarelas internas adotou processos e equipamentos diferenciados para apressar as obras