Indicador da construção é o melhor desde 1999
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sábado, 08 de março de 2008
Chiara Quintão<br>Agência Estado 
São Paulo - O indicador de perspectivas de desempenho pelas empresas de construção civil registrado em fevereiro foi o melhor desde 1999 quando o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e a FGV Projetos deram início à Sondagem da Construção. A 34 edição da pesquisa, feita com 238 empresários, apontou que o indicador de desempenho futuro ficou em 61,1 pontos, superando os 60 pontos pela primeira vez.
Conforme a metodologia do levantamento, valores abaixo de 50 apontam desempenho ou perspectiva desfavorável e acima de 50, favorável. No trimestre encerrado em fevereiro, o indicador de perspectivas de desempenho avançou 2,1% e no ano, aumentou 12,2%. ''O indicador aponta que o setor está vivendo um bom momento e que a crise norte-americana não deve afetar o desempenho das empresas de construção no País nos próximos meses. O crescimento esperado para o setor este ano, de 10,2%, está garantido'', disse à Agência Estado o presidente do Sinduscon-SP, João Claudio Robusti.
Em relação ao desempenho atual da empresa, o indicador ficou em 57,6 em fevereiro, com avanço de 4,7% no trimestre e de 19,6% no ano. ''O desempenho das empresas aponta otimismo do setor'', afirmou Robusti. Outro indicador que superou a marca dos 50 pontos foi o de crescimento econômico, que ficou em 56,8. Embora tenha recuado 6,4% no trimestre, o indicador de crescimento econômico aumentou 29,5% em relação há um ano. ''A construção cresce e o País também.''
Em outros indicadores da sondagem, porém, os empresários da construção civil não demonstraram otimismo. O indicador de perspectiva de evolução de custos ficou em 42,6, de mão-de-obra, em 46,3, materiais de construção, em 36,8, condução da política econômica, 48,7, e inflação reduzida, 46,3. ''O setor está preocupado com despesas de mão-de-obra e com a evolução dos custos de materiais de construção'', disse Robusti, lembrando que o dissídio será em maio.
Se, por um lado, os empresários do setor não demonstraram preocupação de que a crise que começou no mercado de hipoteca de segunda linha dos Estados Unidos prejudique o desempenho da construção civil no País, existe o temor de que possa afetar a condução da política econômica no Brasil, de acordo com o presidente do Sinduscon-SP.
O indicador de dificuldades financeiras ficou em 47,2 em fevereiro. Trata-se do único índice apurado que indica menores dificuldades quanto mais baixo for. No trimestre, as dificuldades financeiras cresceram 6,4%, enquanto no ano, caíram 6,4%. ''Ainda que estejam na faixa otimista, as dificuldades financeiras aumentaram no último trimestre e estão se aproximando dos 50.'' Segundo Robusti, pode ter havido mais dificuldades para acesso ao crédito no período, com o aumento das alíquotas de IOF e CSLL. A expectativa do Sinduscon-SP é de manutenção da taxa Selic amanhã na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).


