Curitiba - Boa infra-estrutura e documentação legal em dia. Depois da questão financeira, essas são as principais exigências de quem está comprando um terreno. Contudo, muitos proprietários de grandes áreas urbanas, por falta de conhecimento ou por falta de dinheiro, não investem em suas propriedades, que ficam desinteressantes ao mercado imobiliário e acabam abandonadas. Para evitar esse tipo de situação e até prejuízos com impostos, uma boa solução é investir em parceiras com incorporadoras. Um lado entra com o terreno e o outro com as benfeitorias, rachando mais tarde os lucros das vendas dos lotes.
O advogado Luiz Carlos Marinoni optou pela parceria para lotear uma chácara de 10 alqueires que possuía em Almirante Tamandaré, Região Metropolitana de Curitiba. Ele conta que começou a perceber que a região em volta do seu terreno foi ficando cada vez mais urbanizada e que logo teria problemas com invasões. ''Escolhi a parceria para lotear porque dificilmente acharia alguém que pagasse o que a chácara realmente valia. E dessa forma ficou menos oneroso, e mais lucrativo, tanto para o incorporador quanto para mim'', afirma. A área com 800 lotes, que começou a ser beneficiada em 1999, já está praticamente toda vendida.
A parceria entre donos de terreno e incorporadoras se dá em duas etapas. A primeira é a fase burocrática e documental, quando é encaminhada a solicitação de aprovação do projeto de urbanização junto à Secretaria Municipal de Urbanismo, e os pedidos de instalação de água, esgoto, rede elétrica e outras autorizações necessárias como a do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Só depois da aprovação dos pedidos é que começam as benfeitorias no local a ser loteado.
O empresário Elio Winter, dono de uma incorporadora com sede em Curitiba, a procura pelas parcerias aumentou muito nos últimos dois anos, quando a cobrança do IPTU passou a ser progressiva. ''Por exemplo, o valor cobrado referente a um lote que vale R$ 1 mil equivale a 1% do valor, mas, se o valor do lote é de R$ 50 mil, o valor do IPTU equivale a 3% do valor. Quanto maior o valor do terreno, mais alto é o IPTU.'' Para Winter, muitos proprietários de chácaras não têm como extrair da terra o dinheiro suficiente para pagar o IPTU, pois as propriedade são, geralmente, bem grandes. ''Assim, o lote vai desvalorizando cada vez mais''.
Para firmar a parceria é importante que o dono do terreno certifique-se de que a incorporadora terá capacidade técnica e financeira para concluir as obras sem contratempos. ''Experiência e documentação provando a idoneidade da empresa também são muito importantes'', alerta o empresário. ''O mais importante é acompanhar as obras do loteamento, se ele ainda não estiver concluído, e visitar outros loteamentos da mesma loteadora para ver o padrão da empresa'', aconselha.
Após o término das obras, normalmente 40% dos lotes ficam para o dono da terra, que pode decidir se vende ou espera valorização maior. Os outros 60% passam para a incorporadora. Também pode acontecer da incorporadora ficar responsável pela venda de todo loteamento. ''Quando isso ocorre, a receita final é dividida nas mesmas proporções anteriores'', explica Winter.

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