'Inchaço' do centro leva escritórios para bairros
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de março de 2007
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
A falta de espaço no centro de Londrina está 'empurrando' os profissionais liberais para os bairros. Arquitetos, contadores, advogados, cabeleireiros, entre outros, encontraram mais conforto nos arredores do quadrilátero formado pela Higienópolis, Souza Naves, Paraná e Andirá.
Facilidade para estacionar, infra-estrutura adequada e economia são os benefícios destacados pelo advogado Gustavo Zimath para trabalhar atrás do Hospital Evangélico. ''Ao contrário do comerciante, que necessita da visibilidade em locais movimentados, nós dependemos, basicamente, da indicação. Por isso, quanto mais fácil é o acesso viário e a tranquilidade do ambiente melhor é o atendimento ao cliente'', justifica Zimath.
Há seis anos, a arquiteta Adriana Pinho Tavares de Almeida transferiu seu escritório da Rua Pernambuco (centro) para um imóvel próprio no Jardim Quebec (Zona Oeste). Segundo ela, a proximidade da Avenida Maringá e até mesmo com o Calçadão (centro) permite a utilização de serviços públicos (bancos, Correios e comércio em geral) a qualquer horário. ''Além disso, tenho a vantagem de não pagar estacionamento'', diz.
O contador Marcelo Molina fez o mesmo há um ano e meio. Cansado de estressar-se no trânsito, ele comprou uma casa no Jardim do Sol (Zona Oeste), bairro que conhece desde criança. ''Moro aqui há quatro anos, mas minha família vive na região há três décadas'', detalhou Molina. Na opinião dele, algumas profissiões dependem, necessariamente, da confiabilidade para manter a clientela. Numa eventual mudança de endereço, os bem conceituados não seriam prejudicados. ''Muito pelo contrário. A nova vizinhança poderá aumentar este público-alvo'', acredita o contador.
O fato de Londrina agrupar profissionais de áreas afins na mesma região facilita a pesquisa de candidatos a locatários. De acordo com Marcos Antonio Silva, auxiliar administrativo da HS Imobiliária, advogados, por exemplo, preferem imóveis próximos ou de fácil acesso ao Fórum e Prefeitura. Da mesma maneira, médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, etc, optam pelas redondezas de hospitais, clínicas e laboratórios. A motivação é óbvia: aproveitar o fluxo de potenciais clientes.
A segunda condição observada nesta categoria de locação comercial é o gasto. Uma sala no centro da cidade, com certeza, custará mais que outro imóvel de dimensões iguais num bairro qualquer. Isto porque a demanda pelo centro eleva o valor do aluguel que, na maioria dos casos, é somado ao condomínio. ''Embora a locação de uma casa elimine o condomínio, é preciso considerar a necessidade da segurança eletrônica, pois o local permanecerá fechado à noite, finais de semana e feriados'', acrescentou Silva.
No momento, a maior procura é por imóveis residenciais para estudantes, que acabam de iniciar o ano letivo nas universidades e cursinhos pré-vestibulares. ''A situação deve mudar somente a partir de maio'', prevê Rafael Tomazini, corretor da imobiliária João de Barro.


