A cada quatro casas populares construídas no Brasil uma é destinada aos poderes públicos na forma de impostos e taxas. A afirmação é do engenheiro civil José Roberto Hoffmann, diretor de Meio Ambiente e Tributos, do Sindicato da Construção Civil de Londrina e Região. Um estudo realizado pelo Departamento Socioeconômico da Federação das Indústrias no Paraná (Fiep), há dois anos, revelou que 42% do custo de uma residência, com até 60 metros quadrados, levantada no Estado, é revertido aos cofres públicos. ''Os maiores encargos são a Previdência Social e direitos trabalhistas'', citou o engenheiro.
Há duas semanas, o governo federal reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para uma série de produtos: tubos e acessórios, cisternas, fios, cabos, janelas e portas de madeira estão isentos; tintas, vernizes, cimento, sanitários, revestimento cerâmico e torneiras pagarão 5% de IPI ao invés de 10% e 12%. A expectativa é que a médio prazo esta alteração eleve o faturamento no varejo de materiais de construção e, consequentemente, aqueça o setor de maneira geral. Hoffmann, no entanto, acredita que a euforia terá vida curta. ''A experiência mostra que, com o tempo, a indústria engolirá sozinha esse benefício'', justificou. A sugestão dos Sinduscons para evitar essa perda é transformar a redução do IPI em créditos concedidos pela Receita Federal às construtoras.
Antes de reduzir o IPI, os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, e das Cidades, Olívio Dutra, mais deputados federais da região de Londrina receberam do sindicato patronal da construção civil a proposta de imposto único, fixado em 5%, para habitações de interesse social. Neste caso, 1% ficaria com a União; 1% seria dos Estados; 1%, dos municípios; 1% seria dos operários e 1% iria para a Previdência Social. A parte destinada aos trabalhadores substituiria o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e, conforme o Sinduscon, não configuraria em prejuízo. ''Essa queda no imposto foi uma forma simplista de amenizar o problema da concorrência com a informalidade que está campeando mais e mais. O barateamento da matéria-prima, de maneira organizada, resultaria no aumento de construções, geração de empregos, aquecimento do comércio e outras vantagens sociais'', defende Hoffmann.
Conforme Pedro Garcia Joaquim, presidente da Associação dos Comerciantes de Material de Construção/regional Londrina (Acomac), em 2005 o varejo amargou queda no faturamento, mas o empresário preferiu não revelar a porcentagem. A estiagem, a crise política do governo federal e, por último a ameaça da febre aftosa, foram apontados por ele como responsáveis pelo decréscimo. ''O campo sempre carregou a cidade'', afirma. No entanto, Joaquim está otimista em relação a 2006 graças às eleições. Como reza a tradição, nessas épocas os governos costumam realizar as promessas de obras públicas e, inevitavelmente, beneficiar o setor da construção civil. ''Para recuperar as perdas dos anos anteriores é preciso que esse crescimento nas vendas seja de, no mínimo, 15%'', opinou.

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