Importados chegam à construção civil
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sábado, 30 de agosto de 1997
Cristine Pieske Curitiba 
Kraw PenasApeloImportados, como torneiras, têm agradado consumidores brasileiros, que acham que os produtos agregam valor ao imóvelOs acessórios de decoração não são mais os únicos itens importados encontrados em casas e apartamentos brasileiros. De olho na qualidade e no preços mais acessível dos produtos, as empresas de construção civil passaram a investir pesado na importação de carpetes, torneiras, azulejos, tintas e aquecedores a gás. Algumas construtoras já planejam importar também cimento, tubulações, esquadrias de alumínio e materias elétricos, que podem representar economia de até 50% no custo final da obra. Mas os especialista alertam: é preciso tomar cuidado para não adquirir produtos de baixa qualidade e que não ofereçam assistência técnica no Brasil.
A maioria dos artigos comercializados no Brasil vem dos Estados Unidos, e possuem características consideradas superiores às brasileiras. Na Moro, uma das construtoras de Curitiba que vem usando materiais importados há quase dois anos, a opção pelos artigos importados foi feita depois de constatada a durabilidade das peças. Além disso, explica o gerente de suprimentos da empresa, Mário Guimarães Filho, existe o apelo de venda. Todo mundo valoriza mais um imóvel quando sabe que ele possui materiais importados, diz.
O diretor técnico de outra construtora, a Casa Construção, Carlos Rogério Gonçalves, alerta para possíveis exageros de marketing. É preciso checar a procedência do produto, pedindo informações sobre o histórico do fornecedor, ensina. Segundo o diretor, é comum que os consumidores, empolgados por estar adquirindo produtos estrangeiros, esqueçam de pensar nos gastos com manutenção. Se a peça não tiver assistência técnica ou revenda no Brasil, o proprietário do apartamento será obrigado a substituí-la no futuro, explica.
O desconhecimento sobre a qualidade das marcas disponíveis no mercado brasileiro tem deixado os consumidores apreensivos. Em uma das lojas que comercializam produtos de acabamento importados - cerâmicas e metais para banheiros - as vendas dos artigos produzidos no Exterior ainda respondem por menos de 5% do total comercializado. Para o diretor comercial da loja, Idezides Resende Filho, os clientes têm medo de ficar na mão quando o material estragar. O preço às vezes é tão baixo que os consumidores estranham, afirma.
Resende cita o exemplo de algumas marcas de cerâmicas produzidas em Taiwan e que costumam rachar com facilidade. O preço, neste caso, não justifica o prejuízo. afirma. Outro exemplo, no entanto, mostra a vantagem dos importados: as torneiras americanas de monocomando, consideradas a última moda para o acabamento de banheiros, chegam a custar a metade das nacionais. Nesta loja, um conjunto nacional de torneira custa R$ 300 - contra R$ 160 do mesmo conjunto produzido nos Estados Unidos.


