Célia Baroni
De Londrina
Fazer a impearmeabilização de um tecido para estofado sempre foi um ‘‘tiro no escuro’’. Mas a tentação é grande. Uma vez submetido ao tratamento, a promessa é de mais facilidade para limpar e conservar o estofado e as cortinas. Pesa ainda o final do estresse cada vez que as crianças tomam conta do espaço com bolachinhas, tomando leite ou comendo chocolate.
O resultado, porém, nem sempre corresponde ao prometido. A empresária Sueli Cesário, especialista em tecidos para decoração, explica que sempre existe o risco do tecido manchar com a impermeabilização. ‘‘Não há seguro quanto a isto. Nenhuma fábrica se responsabiliza’’, comenta.
O processo, acrescenta, exige uma manutenção cuidadosa e precisa ser repetido periodicamente para continuar eficiente. O ideal é pedir ao profissional para entrar em contato com quem vendeu o produto e se informar sobre a melhor forma de aplicar a impermeabilização.
‘‘Na hora de comprar um tecido impermeabilizado ou mandar impermeabilizar, o mais importante é a escolha do profissional que irá fazer o trabalho. Nesta hora é melhor esquecer o preço e garantir a qualidade para não correr o risco de perder tudo’’, reforça. Sueli Cesário esclarece que nem todos os tecidos aceitam a impermeabilização.
Para quem não quer correr riscos a empresária recomenda a compra do tecido impermeabilizado pronto ou pedir para a própria fábrica impermeabilizar o produto. Nos dois casos, a segurança é 100%. A seu favor, a compra do tecido já impermeabilizado tem a agilidade da entrega. O mercado oferece uma grande variedade de tipos, padronagens e texturas – importados e nacionais.
A empresária lembra que até alguns anos atrás o mercado só oferecia três tipos de tecidos impermeabilizados: o plastificado, o chintz e o emborrachado. Nenhum deles, diz, oferecia qualidade. O plastificado tirava a beleza do tecido que se tornava excessivamente brilhoso; o chintz era menos brilhante, mas escamava com muita facilidade – durava pouco – e o emborrachado racha com o tempo.
Feitos de fios impermeabilizados um a um, os novos tecidos impermeabilizados não perdem a qualidade visual nem a textura agradável. O resultado, garante a empresária, é melhor que a impermeabilização tradicional (feita depois que o tecido está pronto). O produto não fica brilhoso nem ‘‘descasca’’ com o tempo e tem uma durabilidade maior. A limpeza também é fácil.
A diferença entre o visual e a textura é tão pequena que exige muita confiança no vendedor para evitar a ‘‘compra e gato por lebre’’. Sueli Cesário alerta o consumidor para não acreditar na oferta de tecidos com poliéster impermeabilizados. Nenhum tecido que contém poliéster, frisa, aceita impermeabilização, nem antes, nem depois.
Outro incentivo é o preço, a diferença entre um mesmo tecido na versão impermeabilizado e o do tipo comum é pequena. O veludo com teflon (impermeabilizado), por exemplo, custa apenas R$ 6,00 a mais que o sem teflon.
Já o empresário José Cesar de Lima Ferreira, que trabalha com tecidos há mais de 17 anos, defende o uso do tecido natural para ‘‘não ter dor de cabeça’’. ‘‘Ele é sempre mais confortável e fresco, além de mais barato’’, argumenta.
Se o problema é a limpeza, diz, hoje existem produtos especiais para estofados que eliminam praticamente todos os tipos de manchas, sem danificar o tecido. ‘‘Sem falar no bom e velho sabão de coco. Pode demorar um pouco mais, mas limpa’’, afirma.