Imóvel pronto não satisfaz mais
Célia Baroni
De Londrina
Muda os móveis de lugar sem parar, apela para a reforma e nunca fica do jeito que se deseja. Se este perfil coincide com o seu, talvez sirva de consolo saber que não é a única (o). Essa insatisfação é comum e tem uma explicação: atualmente a maioria das pessoas mora em imóveis comprados prontos.
Como estes imóveis têm de agradar a maioria, o resultado é um projeto impessoal que não consegue atender ao modo de vida do morador. É como comprar uma roupa pronta com a numeração aproximada; nunca fica perfeita, quando não sobra em um lugar, aperta do outro, não tem conforto.
A diferença está na forma como as pessoas encaram a moradia hoje. A casa deixou de ser o lar para se tornar apenas um imóvel que tem como prioridade o valor de mercado, argumenta o arquiteto e professor da Universidade Estadual de Londrina, Jorge Marão. O assunto é analisado por ele em um dos itens da tese de mestrado, concluída recentemente na USP. O trabalho recebeu nota máxima.
O lar, explica Marão, é uma concepção mais complexa. É o espaço onde a família se integra e se relaciona. O nome vem de uma corruptela da palavra lareira que traz em sua simbologia o sentido de reunião, calor e proteção. Quem constrói seu lar consegue que o projeto atenda às suas necessidades, mas quem compra o imóvel pronto ou se preocupa em fazer o imóvel segundo padrões de terceiros, dificilmente. Nestes casos, o descontentamento, mesmo sutil, é inevitável, argumenta.
Tem solução? Marão explica que o modo de morar é resultado do contexto social e segue o ciclo de evolução do ser humano. Até agora, afirma, as pessoas têm achando mais fácil viver em apartamentos pela segurança e praticidade dos pequenos espaços e da proximidade dos vizinhos. Mas isto está mudando, elas estão voltando para casa. Entenderam que ela ainda pode ser a melhor opção quando o objetivo é qualidade de vida, reforça.
O professor aponta os condomínios fechados como uma solução viável e eficaz para driblar as dificuldades da vida moderna em busca da qualidade de vida. O conceito é excelente porque as propostas atuais permitem que a pessoa construa sua casa conforme seu gosto e ritmo de vida, sem abrir mão da segurança, diz.





