Imóvel ganha preferência de investidores
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sábado, 05 de outubro de 2002
Ligia Barroso<br> Especial para a Folha 
As turbulências no mercado financeiro, com a disparada do dólar somada à redução na rentabilidade dos fundos de investimento, e as incertezas eleitorais, provocaram um aumento na procura por imóveis novos e usados, tanto para investimento como para moradia. Grandes e pequenas construtoras e imobiliárias de todas as regiões do Paraná encerraram os meses de agosto e setembro com o melhor desempenho de vendas deste ano. Para alguns, este volume significativo de (boas) vendas não acontecia desde o Plano Cruzado, em 1986.
''E o alvo dos negócios está nos dois extremos do mercado'', diz o presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci-Pr), Alfredo Canezin. ''Houve acentuado crescimento de vendas tanto em apartamentos, escritórios e casas de alto padrão (imóveis com valores acima de R$ 90 mil) como em lojas comerciais térreas, quitinetes e unidades residenciais com valores inferiores a R$ 30 mil'', comenta Canezin, revelando ainda que esta euforia está sendo registrada em todas as regiões do Estado. ''Não importa o tamanho do mercado. Se existe possibilidade de negócios, eles estão sendo efetuados''.
A esta maré favorável, soma-se outro importante fator: a maioria das vendas estão sendo realizadas à vista, ou, quando parceladas, com valor de entrada maior que os normalmente solicitados pelo mercado e com prazo menor para a quitação. ''O que estamos percebendo é que o comprador está mais capitalizado'', diz Fernando Fabian, diretor da Construtora Plaenge (Londrina), referindo-se principalmente ao volume de vendas já realizadas de um empreendimento residencial da empresa que ainda não tem data agendada para seu lançamento oficial.
''Já vendemos 20 das 108 unidades do Marc Chagall. E a maioria com entradas equivalentes a até 50% do valor total do imóvel'', diz ele. O edifício que será construído na região Palhano, local onde a construtora está com outras quatro obras (sendo que duas já 100% comercializadas antes da entrega), tem 199 metros quadrados de área total, preço de venda entre R$ 121 mil e R$ 156 mil e entrega garantida para abril de 2005.
Segundo alguns imobiliaristas consultados pela Folha, nesse período pré-eleitoral e também de acentuada turbulência no mercado financeiro, dois tipos de potenciais compradores foram facilmente identificados. Um deles é do poupador que já tinha intenção de adquirir um imóvel e apressou os planos por causa da conjuntura incerta e neste caso, como esse cliente dispõe de alguma poupança, ele compra à vista ou negocia muito bem os prazos e os descontos. O outro, é o investidor do mercado de locação que procura apartamentos de médio padrão, escritórios, salas e outros empreendimentos comerciais para obter ganhos mensais com maior rentabilidade que as aplicações financeiras.
''Mas os dois casos referem-se basicamente a compradores de imóveis de médio alto e alto padrão'', argumenta Raul Fulgêncio, da RF Negócios Imobiliários ao comentar, e concordar com o presidente do Creci-PR, que para os imóveis cujo preço oscila entre R$ 40 mil e R$ 80 mil, as vendas foram menos expressivas. ''Para o comprador que não tem poupança e depende de linhas de crédito imobiliário, a incerteza funciona de modo inverso. Também inseguro, ele evita assumir compromissos de longo prazo'', diz ele.
Para Fulgêncio, é uma somatória de fatores que, espera-se, manterão aquecido o setor pelos próximos meses. ''Além da migração de investidores dos fundos de aplicações para o mercado de imóveis, e das indefinições econômicas para os próximos três meses em razão do resultado das eleições, também as diversificadas safras agrícolas do Estado têm contribuído para este crescimento. Pois quando agricultores e pecuaristas têm renda melhor, aumentam todos os negócios, fortalece toda a economia dos municípios comércio e a indústria do varejo. E, com isso, também o mercado de imóveis, seja ele comercial, residencial ou industrial. Seja de imóveis novos ou usados'', completa o imobiliarista, que fechou o mês de setembro com um volume quatro vezes maior de negócios que o mesmo período do ano passado.


