A baixa rentabilidade das aplicações financeiras estimulou um aumento de 20% no valor dos imóveis em Londrina nos últimos 12 meses. O medo da violência incentiva a procura por apartamentos localizados no Centro e região sul da cidade. A informação é do imobiliarista José Carlos Delalibera que atua no ramo há 29 anos.
Segundo ele, os universitários são importantes clientes porque trazem consigo o investimento dos pais. De maneira geral, eles disputam apartamentos de um a três quartos no Centro, às vezes, até sem elevador ou garagem. ''Ultimamente, faltam imóveis desse tamanho e isso, com certeza, eleva o preço'', explicou Delalibera que também é presidente do pregão do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis (Secovi) e vice-presidente do Sindicato de Corretores de Imóveis de Londrina e Região (Sincil). O preço de venda de um apartamento nesse padrão variava de R$ 40 mil a R$ 50 mil de acordo com sua localização em relação ao Centro.
Uma dona de casa ouvida pela reportagem, que pediu para não ter o nome publicado, é uma das candidatas a esse tipo de imóvel. Ela, o marido e duas filhas moram em um conjunto habitacional da zona norte, mas realizam suas principais atividades no Centro de Londrina. Aos 34 anos de idade, essa dona de casa nunca viveu num apartamento. No entanto, está disposta a abrir mão do espaço de uma casa em troca da segurança da família. ''Eu sei que será difícil no começo, mas vai valer a pena'', acredita. Há um mês, ela iniciou a procura e surpreendeu-se com a dificuldade de conciliar o preço à necessidade. Ela pretende vender a casa em que mora para juntar com as economias e comprar um apartamento de três quartos por, no máximo, R$ 50 mil. Infelizmente, ''seu sonho'' está custando entre R$ 58 mil e R$ 65 mil. ''Não tenho urgência e, em último caso, peço um empréstimo'', adiantou.
Na opinião da corretora de imóveis Susi Fugita, a maioria dos potenciais compradores de imóveis atualmente é da classe média e quer sair de casa para um apartamento ou de um apartamento menor para outro maior. ''A preocupação com a segurança e conforto é tão grande que as pessoas não fazem tanta questão de imóvel novo. Para elas, o que importa é tamanho e localização. É com base nessa necessidade que os condomínios horizontais, inclusive para a classe média, vêm crescendo'', disse a corretora que acredita no potencial imobiliário também nos bairros.
Quem dispende de mais recursos está de olho na Gleba Palhano (zona sul) que, nos últimos três anos, expandiu rapidamente. De acordo com Delalibera, o metro quadrado livre nesta região é comercializado por R$ 250 enquanto o metro quadrado construído varia de R$ 1 mil a R$ 1,2 mil. Apesar dos resultados favoráveis, Delalibera estima que é possível um aquecimento ainda maior do mercado. ''Estamos começando o ano, praticamente, agora'', explica.

mockup