Imóveis residenciais estão encolhendo
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de setembro de 1998
Marcos Zanatta 
O tamanho padrão dos imóveis residenciais sofreu uma redução de pelo menos 50% nos últimos 20 anos, e apesar da família também ter menos membros, o espaço disponível para cada pessoa é menor que há uma década. Os números levantados pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento de Maringá (Ipplam), refletem a realidade da cidade, mas seguem uma tendência verificada em todo o país. O Ipplan constatou que na década de 80, os imóveis que tiveram alvará liberado pelo município mediam em torno de 300 metros quadrados. No último levantamento, realizado em 1996, a média caiu para 130 metros quadrados.
Os condomínios horizontais tem vantagens e auto custo da implantação até a manutençãoNo mesmo período, o tamanho da família sofreu uma redução significativa. No último censo do IBGE, realizado há dois anos, a média em Maringá era de 3,5 pessoas por família. Isso não significa necessriamente, que cada pessoa tem disponível 37 metros quadrados dentro de casa, se levarmos em conta a metragem média dos imóveis e a quantidade de membros da família. Na realidade as pessoas estão buscando qualidade com menos custo, o que resulta em imóveis de menor tamanho e de bom padrão, afirma o engenheiro José Vicente Alves do Socorro, diretor do Ipplam.
Ele diz que a mudança está no tamanho e principalmente na quantidade de peças dos imóveis novos. Antes as casas ou mesmo apartamentos tinham grandes salas e quartos de sobra, o que não ocorre hoje, analisa. O arquiteto Hélio Moreira Júnior, diretor da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Maringá (Aeam), tem a mesma opinião. Moreira diz que além de reduzir o tamanho, os imóveis também tem menos peças. O principal motivo para essa mudança, diz ele, é o aumento do custo da obra e o apertado orçamento familiar.
Nas obras financiadas as construtoras tiveram que se adaptar a uma nova realidade, com menos repasse de recursos dos agentes financeiros, e a necessidade de atender uma família com renda limitada. O tamanho das residências tem a ver também com outros fatores, como o custo de manutenção da casa, o trabalho da mulher e a necessidade imediata da família, diz ele. Moreira lembra ainda que a residência tem hoje uma conotação mais de descanso do que familiar. Enquanto antigamente os pais e um grande número de filhos se reuniam em casa depois de um dia de trabalho, hoje a realidade é outra.
Outra característica que deve ser levada em conta na hora de analisar o mercado da construção civil, é a grande quantidade de casas geminadas. A tendência está também em outras cidades, mas é grande em Maringá devido às leis de ocupação do solo urbano. Moreira conta que as regras da época da colonização, que determinavam o tamanho mínimo dos lotes, das vias de acesso e até das calçadas, foram preservadas. Garantindo a qualidade de vida dos habitantes, afirma. Ele diz que enquanto na maioria das cidades o tamanho padrão de um lote é de 200 a 250 metros quadrados, em Maringá o mínimo é de 300 metros.
Como o terreno soma cerca de 10% do custo total da obra, acaba compensando a construção dos geminados. Moreira diz que a construção de moradias compartilhadas é liberada em algumas regiões da cidade, e começou como forma das famílias morarem próximas. O que no início era uma forma de proximidade no convívio de pais e filhos ou de irmãos, acabou ganhando mercado. Hoje, muitos construtores ampliam o faturamento com os geminados, que tem um custo menor e um mercado garantido com preços similares às casas isoladas.
Nos últimos anos outra tendência verificada são os condomínios horizontais. Em Maringá, como a cidade é plana e tem grandes vazios urbanos, em áreas nobres a menos de dez minutos do centro da cidade, se tornaram um filão para os condomínios mais luxuosos. Mas a classe média também tem seus espaços. Hélio Moreira Júnior explica que os condomínios de alto padrão possuem casas com tamanho definido, de projetos diferenciados e são entregues prontos. As casas são normalmente de grande metragem e o condomínio possui uma infra-estrutura de clube.
Nos empreendimentos destinados à classe média, as casas seguem a mesma tendência do padrão normal. Segundo Moreira, muitas vezes o projeto prevê a ampliação das casas, conforme a necessidade da família do morador. Outra diferença em relação aos condomínios de alto padrão, é que a área comum é menor, e oferece apenas a segurança aos moradores. Nos dois casos, o custo final da obra e também da moradia será maior que uma casa ou apartamento normal, mas tem vantagens sobre o convencional, diz Moreira.


