Imóveis para festas são opção de renda
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sábado, 25 de fevereiro de 2006
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
A demanda e a liquidez certa de espaços para pequenas comemorações em família despertou o interesse de pequenos investidores do mercado imobiliário de Londrina. Pelos bairros da cidade, as placas de 'aluga-se para festas' tornaram-se comuns em espaços comerciais adaptados e até mesmo residências.
Um exemplo é a família de Margarete Marli Pesarini Parra. Nascidos e criados na zona rural de Londrina, ela e o marido construíram um sobrado com três portas comerciais, uma residência e um salão para eventos, no Jardim Coliseu (Zona Norte). ''Enquanto tocávamos a obra, eu e o marido morávamos nos fundos, abrimos um sacolão na frente e pensávamos em instalar meu filho, a nora e os netos na parte superior. Cinco anos depois, nós dois voltamos para a Warta (distrito rural na zona norte de Londrina) para produzir verduras e legumes. A idéia não rendeu como esperávamos e voltamos ao sacolão que, hoje, divide-se em açougue e locadora para particulares'', contou a dona de casa.
Quando o andar superior do imóvel foi concluído a festa de inauguração reuniu convidados do primeiro cliente que alugou o espaço. Isso ocorreu há quase dois anos e, desde então, o local é utilizado basicamente para festas infantis nos finais de semana. O custo da locação de R$ 150,00/dia inclui a disponibilidade de banheiros, cozinha equipada, mesas e cadeiras para 100 pessoas. ''Oferecemos também um kit com doces, salgados, bolo, refrigerantes e descartáveis para metade desse público, por R$ 490,00, com o aluguel do salão'', disse Margarete, que conta com a nora na cozinha, o marido e o filho no serviço do salão. O dinheiro obtido pela família é usado no pagamento de contas e manutenção do prédio.
Aconselhada pelo cunhado engenheiro, a filha de Dulce Moura Moitinho construiu um sobrado de sete salas comerciais e um salão para festas com entradas separadas. Um ano após o término da obra, apenas uma sala está vazia e o salão é alugado todo final de semana por R$ 120,00/dia. ''Já fizeram até recepção de casamento aqui'', disse a dona de casa, que administra o empreendimento com apoio do marido e outra filha. O investimento veio do Japão e a renda gerada é revertida no pagamento de água, luz, IPTU, manutenções e sustento do neto de nove anos. ''Os anúncios em jornais trazem clientes até de outros bairros onde falta esse tipo de serviço'', acrescentou Dulce.
Com intuito de aproveitar melhor o barracão industrial do pai, Marcia Pelarin e os três irmãos tentam conciliar suas atividades profissionais, a família e a locação do imóvel para festas. Segundo Marcia, a idéia surgiu da procura por familiares e amigos que, constantemente, reúnem-se ali. ''Instalamos ventiladores, pintamos as paredes, equipamos a cozinha, construímos uma churrasqueira e abrimos aos interessados'', disse a dona de casa, que está insegura com a experiência. Para ela, o negócio precisa de dedicação exclusiva e seriedade para obter lucro. ''Dar preferência ao uso familiar e trabalhar apenas nas horas vagas não vale a pena'', opinou. Apesar das dificuldades, Marcia e os irmãos insistirão no negócio.
De acordo com o empresário Alfredo Canezin, presidente do Conselho Regional de Corretores Imobiliários do Paraná e imobiliarista em Londrina, a rentabilidade desse nicho de mercado é resultado da falta de tempo e espaço das famílias. Mesmo aqueles que vivem em imóvel térreo,às vezes, optam por locar um espaço para festas familiares a fim de poupar o desgaste com decoração, serviço de mesas e limpeza. Neste caso, o investimento é compensado pela profissionalização no atendimento e comodidade do contratante. ''Embora seja comum, a falta de contrato é um risco para ambas partes que deve ser considerado numa negociação'', disse Canezin ao sugerir que investidores disponham de, no mínimo, locais com 150 metros quadrados de área e estacionamento acessível.


